-
Secção Regional do Norte da Ordem dos Médicos
-
A SRNOM
-
Nacional
-
Espaços SRNOM
-
Lazer, cultura e bem-estar
-
Serviços
-
Qualidade
Revista nortemédico
Newsletter
Legislação
Regulamento
O norte da Espanha, nordeste da Itália, e sul e oeste da França são as regiões da Europa onde os idosos têm uma vida mais prolongada, dá conta um estudo publicado no “Journal of Epidemiology and Community Health”.
O estudo levado a cabo pelos investigadores do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S), e ao qual a agência Lusa teve acesso, conclui que o Reino Unido tem mesmo a maior concentração de população nas regiões onde a idade de sobrevivência é mais baixa.
No estudo, os investigadores traçaram um mapa com o cenário de sobrevivência no continente europeu durante os últimos 20 anos, tendo encontrado grandes variações na sobrevivência dos idosos dos diferentes países.
O estudo baseou-se nos censos, na taxa de sobrevivência ao fim de 10 anos da população na faixa etária de 75 a 84 anos de idade, para avaliar os que atingem a faixa de 85 a 94 anos de idade.
Uma das autoras do estudo, Ana Isabel Ribeiro, referiu à agência Lusa, que “o mais provável é que os padrões observados resultem da combinação de dois fatores: a pobreza, que explica a baixa longevidade em Portugal, sul de Espanha e de Itália, ou nas regiões pós-industriais, por exemplo; ou comportamentos pouco saudáveis, como o tabaco ou má alimentação, que explicariam a baixa taxa de sobrevivência em determinadas áreas como a Escandinávia ou a Holanda”.
A líder da investigação, Fátima Pinto, referiu que, tendo em conta que a idade de sobrevivência contribui para os cálculos de esperança de vida das regiões, “estes dados acabam por ser muito importantes para a gestão das dinâmicas sociais numa Europa envelhecida”.
Em média, a proporção de população compreendida entre os 75 e os 84 anos em 2001 que sobreviveu mais 10 anos foi de 27% para os homens e 40% para as mulheres. Em 2011, o rácio de sobrevivência aumentou consideravelmente, atingindo 34% para os homens e 47% nas mulheres.
No entanto, existe uma grande diferença geográfica na taxa de sobrevivência nos dois períodos. Em 2001 havia 27 regiões onde uma maior proporção de homens sobrevivia até 85 a 94 anos e 31 regiões onde a proporção era mais baixa (abaixo dos 21%).
Os locais onde os homens idosos tiveram a vida mais prolongada foi em Salamanca, Andorra e Genebra. Pelo contrário, Glasgow, Manchester, Liverpool, ou Londres (todas no Reino Unido), assim como as áreas industriais de mineração no norte de França, foram as áreas onde a taxa de sobrevivência dos homens idosos foi mais baixa.
Em 2011 o cenário foi ligeiramente diferente. As regiões com taxa de sobrevivência elevada nos homens eram já 49; as de baixa taxa de sobrevivência eram 24. Em termos geográficos, as áreas de elevada sobrevivência em 2001 mantiveram-se as mesmas e a estas juntaram-se o oeste e o sul da França.
No caso das mulheres, em 2001, verificou-se uma taxa de sobrevivência elevada (acima dos 48%) em 45 regiões e apenas 35 onde a taxa era baixa (abaixo dos 32%).
Geograficamente, a distribuição é muito similar à dos homens com variação positiva no nordeste de Itália, e negativa no sul de Espanha, região de Nápoles e Sicília. Por sua vez, em 2011 já eram 102 as regiões com elevada taxa de sobrevivência (acima dos 56%), mas o número com taxa muito baixa (abaixo do 39%) também aumentou para 50.
De acordo com os investigadores existem muitos fatores que influenciam a idade de sobrevivência dos idosos, nomeadamente fatores genéticos, estilos de vida, poluição, assim como o acesso a cuidados de saúde. Uma das causas mais frequentes no desfecho destes casos, acima dos 85 anos, são as doenças cardiovasculares, responsáveis por quatro em cada dez mortes no espaço europeu.