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A cura do cancro pode passar pela utilização de um tipo de células do sistema imunitário, os linfócitos T, refere um estudo apresentado recentemente na reunião da Sociedade Americana para o Avanço da Ciência.
Os linfócitos T são um tipo de leucócitos ou glóbulos brancos que detetam células estranhas ou anormais, incluindo as células cancerígenas, e iniciam um processo que tem por alvo os agentes invasores. Contudo, mesmo quando desencadeada, a resposta imunitária a um tumor não é muitas vezes suficientemente potente e persistente para eliminar as células cancerígenas. Na verdade, os linfócitos T ficam esgotados ou os tumores conseguem evitá-los impondo uma regulamentação que pode limitar a eficácia do ataque dos linfócitos T presentes no paciente.
A transferência adotiva de células T é um processo imunitário experimental em que as células imunitárias são manipuladas para reconhecer e atacar as células cancerígenas do paciente. Os linfócitos T são extraídos do sangue e é utilizada a transferência genética para introduzir recetores altamente potentes que têm por alvo as células cancerígenas. Em menos de duas semanas, as novas células são infundidas no paciente, onde detetam o tumor e destroem as células cancerígenas.
Num ensaio clínico preliminar os investigadores da Universidade de Munique, na Alemanha, do Instituto Científico San Raffaele, em Itália, e da Universidade de Washington, nos EUA, utilizaram linfócitos T modificados com recetores quiméricos de antígeno (CARS, sigla em inglês), tendo verificado uma regressão sustentada de muitos casos resistentes e recidivos de leucemia linfoblástica aguda, linfoma não-Hodgkin e leucemia linfocítica crónica.
Os CARS são recetores sintéticos que são colocados nos linfócitos T para redirecioná-los para que sejam capazes de reconhecer as células cancerígenas. A introdução deste tipo de recetores, em subpopulações especializadas de linfócitos T, proporciona assim uma resposta imune potente e duradoura contra os tumores.
O líder do estudo, Stanley Riddell, referiu ao longo do encontro da Associação Americana para Avanços da Ciência, que estes resultados são extraordinários e que nunca se tinha obtido na medicina taxas de respostas a esta escala em pacientes com um estadio tão avançado da doença.
Uma outra autora do estudo Chiara Bonini revelou nunca ter observado este tipo de taxas de remissão. “Isto é realmente uma revolução. Os linfócitos T são um fármaco vivo, e, em particular, têm o potencial de persistir no corpo ao longo de toda a vida”, conclui.