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As estatinas podem proteger contra a doença cardiovascular mais do que anteriormente se pensava, defende um estudo publicado no “The Journal of the American Heart Association”.
A aterosclerose pode conduzir a um determinado número de condições médicas graves, nomeadamente enfarte agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral e claudicação intermitente. Estas e outras doenças cardiovasculares estão a aumentar em todo o mundo e são as principais causas de morte no ocidente.
Esta condição é visível nas paredes dos vasos sanguíneos sob a forma de placas constituídas por células mortas acumuladas e colesterol LDL (o chamado “mau” colesterol) oxidado, bem como dois tipos de células imunitárias, os linfócitos T e as células dendríticas, que são os principais intervenientes nesta inflamação crónica.
As estatinas são um tipo de fármacos utilizados habitualmente para prevenir a paragem cardíaca e outras condições. Apesar de há muito se saber que as estatinas têm uma ação anti-inflamatória, não se sabe ao certo como o sistema imunitário é especificamente afetado. O que se tem assumido, até à data, é que a eficácia das estatinas está associada à redução dos níveis de colesterol no sangue.
Contudo, neste estudo, os investigados do Instituto Karolinska, na Suécia, demonstraram que as estatinas são capazes de proteger contra a doença cardiovascular através de um mecanismo imunológico novo e específico.
“Pela primeira vez, fomos capazes de demonstrar que um tratamento imunológico contra a aterosclerose funciona realmente”, referiu, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Johan Frostegård.
No estudo, foi avaliada a interação entre os dois tipos de células imunitárias mais importantes neste contexto, os linfócitos T e as células dendríticas. Ao analisarem as placas ateroscleróticas em pacientes humanos, os investigadores verificaram que o colesterol LDL oxidado ativa os linfócitos T inflamatórios da placa através das células dendríticas. As estatinas bloqueiam os linfócitos T e estimulam a produção de células T anti-inflamatórias. As células dendríticas são também afetadas de um modo que as torna anti-inflamatórias.
Por outro lado, o estudo apurou que as estatinas reprimem genes ativadores, incluindo um denominado por let7c, que habitualmente ajuda a inibir o crescimento tumoral.
Johan Frostegård refere que no caso de um paciente ter um tumor no qual o let7c desempenha um papel importante, as estatinas podem ter efeitos adversos. No entanto, as estatinas reduzem a inflamação, o que pode diminuir o risco de cancro. De facto, vários estudos têm demonstrado que, no geral, as estatinas não aumentam o risco desta doença.