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Há falta de formação ao nível de comunicação dos profissionais de saúde com os doentes, alerta a presidente da recém-criada Sociedade Portuguesa de Comunicação Clínica em Cuidados de Saúde (SP3CS).
“Esta é uma das queixas mais comuns dos doentes”, referiu à agência Lusa Irene Carvalho, acrescentado que a SP3CS pretende fazer “um levantamento da formação em Comunicação Clínica que está a ser prestada em todas as escolas de Ensino Superior com cursos na área da saúde”.
De acordo com a presidente da sociedade científica sediada no Porto, há estudos realizados nos Estados Unidos que revelam que as queixas por falha na comunicação médico-paciente são muito mais frequentes do que as queixas provocadas por incompetência técnica e que “foi por isso mesmo que, nos EUA, se assistiu a uma forte implementação de conteúdos sobre Comunicação Clínica nas Universidades que formam médicos, enfermeiros, farmacêuticos e terapeutas de vária ordem”.
De acordo com a também professora da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), onde a sociedade está sedeada, em Portugal, não existem dados sobre a formação que os futuros profissionais de saúde (desde os médicos até aos psicólogos, passando pelos terapeutas) estão a receber durante a sua formação académica e é por aí que a SP3CS pretende começar.
“Numa altura de grande informatização, tecnicização e compartimentação dos cuidados de saúde, a interação entre os profissionais de saúde e os pacientes é, muitas vezes, mínima”. Contudo, os fundadores da SP3CS consideram “fundamental que a comunicação com o doente e a empatia sejam resgatados para a medicina e para as outras áreas da saúde. Os próprios profissionais de saúde sentem necessidade de formação nesta área”, refere a sociedade em comunicado.
Dinamizada por Rui Mota Cardoso, investigador e precursor do ensino pré e pós-graduado da Comunicação Clínica em Portugal, a SP3CS resulta de mais de dois anos de reuniões de vários especialistas portugueses nesta área e tem como objetivos principais promover o desenvolvimento das competências de comunicação nos cuidados de saúde, fomentar a investigação nesta área e dinamizar a cooperação e a partilha de conhecimentos entre os sócios e as entidades nacionais e internacionais.