-
Secção Regional do Norte da Ordem dos Médicos
-
A SRNOM
-
Nacional
-
Espaços SRNOM
-
Lazer, cultura e bem-estar
-
Serviços
-
Qualidade
Revista nortemédico
Newsletter
Legislação
Regulamento
As crianças com gastroenterite e desidratação ligeira necessitam de menos tratamentos, como reidratação intravenosa ou hospitalização, se beberem sumo de maçã diluído, comparativamente com aquelas que bebem uma solução eletrolítica para repor a perda de líquidos, sugere um estudo publicado no “JAMA”.
A gastroenterite é uma doença pediátrica comum onde a ingestão de uma solução de manutenção eletrolítica é recomendada para tratar e prevenir a desidratação, embora seja relativamente cara e o sabor possa limitar a sua utilização. Adicionalmente, ainda não se provou que este tipo de solução seja vantajosa para as crianças que estão apenas pouco desidratadas.
Para o estudo, os investigadores da Universidade de Calgary, no Canadá, contaram com a participação de um total de 647 crianças, entre os seis e os 60 meses, com gastroenterite e desidratação ligeira. Cerca de metade das crianças bebeu sumo de maçã diluído/bebida preferida e a outra metade uma solução eletrolítica com sabor a maçã. Após a alta, as crianças que tinham ingerido sumo de maçã diluído/bebida preferida beberam líquidos sem restrições. O outro grupo continuou a beber a solução eletrolítica em quantidades equivalentes às perdas.
Os investigadores definiram que o tratamento tinha falhado se, após sete dias, uma das ocorrências tivesse sido observada: reidratação intravenosa, hospitalização, nova consulta com o médico, sintomas prolongados, perda de peso a partir dos 3% ou desidratação significativa observada na consulta de acompanhamento.
O estudo apurou que no total, 644 crianças necessitaram de uma consulta de acompanhamento. O tratamento teve menos falhas nas crianças que beberam o sumo de maçã diluído, comparativamente com aquelas que beberam a solução eletrolítica, 17 versus 25%. Enquanto apenas 2,5% das crianças que beberam sumo de maçã diluído necessitaram de reidratação intravenosa, 9% das que beberam a solução eletrolítica necessitaram deste procedimento. As taxas de hospitalização e diarreia, bem como a frequência dos vómitos não foram significativamente diferentes entre os dois grupos.
Na opinião dos autores do estudo estes resultados desafiam a recomendação rotineira da administração de uma solução eletrolítica quando a diarreia tem início.
"Em muitos países ricos, a utilização de sumo de maçã diluído e bebidas da preferência da criança podem ser uma alternativa adequada às soluções eletrolíticas para as crianças com gastroenterite e desidratação ligeira”, concluíram os investigadores.