Data

04 Mai 2016



Fonte

ALERT Life Sciences Computing, S.A.





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Doença cardiovascular pode ser detetada com método para metástases ósseas

Estudo da Universidade de Coimbra

Um radiofármaco utilizado na deteção de metástases ósseas pode ser também eficaz na identificação precoce da doença cardiovascular, defende um estudo da Universidade de Coimbra (UC).
O estudo piloto realizado no Instituto de Ciências Nucleares Aplicadas à Saúde (ICNAS), em Coimbra, apurou que radiofármaco fluoreto de sódio marcado com fluor-18, utilizado habitualmente na deteção de metástases ósseas, parece ser eficaz na identificação precoce da doença cardiovascular.
Segundo a nota da UC, à qual a agência Lusa teve acesso, o método, que recorre a imagem não invasiva, foi aplicado a “indivíduos com risco cardiovascular, seguidos na consulta externa de cardiologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), por uma equipa multidisciplinar liderada pela docente e investigadora da Faculdade de Medicina da UC, Maria João Ferreira”.
Os investigadores verificaram que é possível “identificar placas ateroscleróticas em processo de microcalcificação ativa, mais vulneráveis” e, por isso, “mais sujeitas a rotura, o que parece relacionar-se com o risco de se associarem a quadros agudos, como o enfarte do miocárdio ou o acidente vascular cerebral”, refere a UC.
“O seu reconhecimento pode condicionar tratamentos que visam a sua estabilização e, consequentemente, a diminuição do risco de eventos cardiovasculares”, acrescenta.
De acordo com Maria João Ferreira, os resultados obtidos “são muito promissores e parecem apoiar esta nova aplicação deste ‘velho’ marcador”.
“Mas há ainda muito trabalho a ser desenvolvido” e é “indispensável” dar continuidade ao “esforço de uma equipa onde a investigação básica e clínica interagem de forma profícua”, acrescentou.
“A importância deste conhecimento poderá, num futuro que se antevê próximo, relacionar-se com o risco cardiovascular do indivíduo e, por isso, com a sua orientação terapêutica”, disse Maria João Ferreira.
Apostar em novos métodos de diagnóstico precoce das doenças do foro cardíaco é muito relevante, uma vez que “a doença cardiovascular, nas suas várias componentes, é uma das principais causas de morte”, concluiu a docente da Faculdade de Medicina de Coimbra.