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Investigadores americanos identificaram uma nova via através da qual o ácido salicílico, um composto-chave dos fármacos anti-inflamatórios não esteroides, como a aspirina e o diflusinal, impedem a inflamação e o cancro, dá conta um estudo publicado na revista “eLife”
Os investigadores do Instituto Gladstone, nos EUA, constataram que tanto a aspirina como o diflusinal suprimem duas proteína- chave que controlam a expressão genética no organismo. Estas proteínas, a p300 e a CBP (do inglês, CREB-binding protein) são reguladores epigenéticos que regulam os níveis de proteínas que causam inflamação ou estão envolvidas no crescimento celular.
O estudo apurou que através da inibição da p300 e da CBP, a aspirina e o diflusinal bloqueiam a ativação destas proteínas e impedem os danos celulares causados pela inflamação. Estes resultados fornecem pela primeira vez uma demonstração concreta de que a p300 e a CBP podem ser alvo de fármacos e podem ter implicações clínicas importantes.
Eric Verdin, um dos autores do estudo refere que o ácido salicílico é um dos fármacos mais antigos do planeta, que remonta aos egípcios e gregos, mas ainda continuam a ser descobertas características novas. ”A descoberta desta via de inflamação na qual o ácido salicílico atua abre uma série de novas possibilidades clínicas para estes fármacos”, acrescentou o investigador.
Estudos anteriores realizados pelos investigadores da Universidade de Miami, nos EUA, em colaboração com Eric Verdin já tinham constatado que havia uma ligação entre o p300 e a AML1-ETO, uma proteína promotora da leucemia.
Neste estudo, os investigadores decidiram avaliar se a supressão da p300 com o diflusinal impedia o desenvolvimento da leucemia em ratinhos. Tal como era esperado verificou-se que o fármaco foi capaz de impedir a progressão do cancro e diminuir os tumores num modelo de ratinho para a leucemia.
"A capacidade de redirecionar fármacos que já estão aprovados pela FDA para fazerem parte de novas terapias para pacientes com cancro é muito entusiasmante", referiu Stephen D. Nimer, investigador neste estudo e filiado à Universidade de Miami.
Um ensaio clínico do ácido salicílico em pacientes com cancros hematológicos demonstrou que o fármaco era seguro. Deste modo, o esforço de desenvolvimento de novas terapias epigenéticas é um próximo passo importante para encontrar um tratamento mais eficaz para os pacientes com leucemia.
Os investigadores estão a realizar um ensaio clínico para testar a capacidade de o ácido salicílico tratar doentes com leucemia, como parte de novas terapias de combinação. Outras das possíveis aplicações clínicas incluem outras formas de cancro, diabetes tipo 2, doenças inflamatórias, e mesmo doenças neurodegenerativas, como a doença de Alzheimer.