Data

18 Jul 2016



Fonte

ALERT Life Sciences Computing, S.A.





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Desequilíbrios na flora intestinal aumenta risco da diabetes

Estudo publicado na revista ''Nature''

Investigadores dinamarqueses demonstraram que a ocorrência de desequilíbrios específicos na flora intestinal contribui para o desenvolvimento da diabetes tipo 2, hipertensão e aterosclerose, defende um estudo publicado na revista “Nature”.

Para o estudo, os investigadores da Universidade de Copenhaga, na Dinamarca, contaram com a participação de 75 indivíduos com diabetes tipo 2 e 277 indivíduos saudáveis, tendo monitorizado as concentrações de mais de 1.200 metabolitos no sangue. Foram realizados estudos do ADN de centenas de bactérias presentes no trato intestinal de forma a explorar se determinados desequilíbrios na flora intestinal estão envolvidos em doenças metabólicas comuns e cardiovasculares.

O estudo apurou que os indivíduos resistentes à insulina apresentavam níveis sanguíneos elevados de um subgrupo de aminoácidos denominados aminoácidos de cadeia ramificada. Verificou-se que o aumento dos níveis deste tipo de aminoácidos está associado a alterações específicas na composição e função da flora intestinal.

Os investigadores, liderados por Oluf Pedersen, verificaram que a bactéria Prevotella copri e a Bacteroides vulgatus eram produtoras dos aminoácidos de cadeia ramificada. De forma a verificar se as bactérias intestinais eram a verdadeira causa da resistência à insulina, os investigadores alimentaram ratinhos com Prevotella copri ao longo de três semanas. Comparativamente com os animais alimentados com uma dieta controlo, aqueles submetidos a uma dieta com Prevotella copi apresentaram níveis mais elevados de aminoácidos de cadeia ramificada, resistência à insulina e intolerância à glucose.

“Este estudo representa avanços médicos e técnicos muito importantes, e é o primeiro a integrar dados do metabolismo, microbioma e clínicos numa única análise”, referiu, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Henrik Bjorn Nielsen.

O investigador refere que a maioria dos indivíduos com resistência à insulina não sabe que a tem. Contudo, sabe-se que a maioria dos indivíduos com excesso de peso ou obesos são resistentes à insulina. Por outro lado, a adoção de uma dieta menos calórica, o aumento do consumo de legumes e uma menor ingestão de alimentos ricos em gordura animal tende a normalizar os desequilíbrios da flora intestinal e a melhorar significativamente a sensibilidade à insulina no hospedeiro.