Data

12 Fev 2016



Fonte

ALERT Life Sciences Computing, S.A.





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Eutanásia deverá passar por referendo

Defende presidente da Associação de Bioética

A legalização da eutanásia tem de ser submetida a referendo por ser uma questão que não está devidamente esclarecida na sociedade portuguesa, defende o presidente da Associação de Bioética.

“Não é este o momento para legislar a correr nesta matéria”, disse à agência Lusa Rui Nunes.

Mesmo considerando positivo o manifesto de um conjunto de personalidades em defesa da despenalização da morte assistida, o perito diz que “o povo português não está devidamente esclarecido”.

“Muitas vezes nem os próprios profissionais de saúde estão adequadamente preparados nesta matéria. É o tempo de se iniciar um profundo debate sobre este tema para que as pessoas possam mais tarde pronunciar-se”, referiu Rui Nunes.

O especialista lembrou que a questão da eutanásia engloba aspetos “muito diversos” que têm de ser discutidos, indicando que ele próprio concorda com algumas matérias e discorda de outras.

“Discordo da eutanásia em crianças ou em pessoas com doenças terminais que não têm capacidade de manifestar a sua vontade. Só é admissível a prática da eutanásia quando a pessoa está a exercer a sua liberdade ética muito profunda, não quando está com um sofrimento, com dores profundas, ou quando está excluída socialmente”, acrescento.

De acordo com Rui Nunes, nos países que legalizaram a eutanásia foi implementada atempadamente uma rede adequada de cuidados paliativos. Esta rede de cuidados paliativos permitiria que, a ser legalizada, a morte assistida fosse solicitada apenas por pessoas que não estejam constrangidas por fatores como o abandono, as dores profundas, a depressão ou a solidão.

Apesar de concordar que a dignidade humana não se referenda, Rui Nunes refere que essa não é a questão em debate, mas antes a possibilidade de vir a dispor da própria vida no futuro.

“A Constituição Portuguesa diz claramente que a vida humana é inviolável. A concretização dessa mesma dignidade humana não pode ser determinada por meia dúzia de notáveis da nossa sociedade”, justifica.