Data

03 Ago 2016



Fonte

ALERT Life Sciences Computing, S.A.





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Identificada nova via de sinalização para morte celular programada na leucemia

Investigação divulgada na ''Cancer Cell''

Cientistas da Universidade Técnica de Munique, na Alemanha, identificaram uma nova via de sinalização para a autodestruição celular que se encontra suprimida nas células da leucemia, dá conta um estudo publicado na revista científica “Cancer Cell”.
A leucemia mieloide aguda é um tipo de cancro do sangue desencadeado por alterações patológicas nas células da medula óssea. Num organismo normal, diferentes células sanguíneas desempenham funções distintas. Estas células têm origem em células estaminais e em células progenitoras derivadas da medula óssea. Contudo, uma mutação genética pode levar estas células a transformarem-se em células precursoras que iniciam a leucemia (conhecidas em inglês pela sigla LIC). Nestes casos, as células perdem a sua função e são incapazes de se desenvolver em células sanguíneas maduras.
As alterações genéticas mais frequentes na leucemia mieloide incluem mutações no gene FLT3. De acordo com a investigação da equipa liderada por Philipp Jost, da Universidade Técnica de Munique, na Alemanha, esta mutação genética provoca a ativação permanente do gene FLT3, o que desencadeia estímulos semelhantes à inflamação nas células, sujeitando-as a stress permanente.
Em condições normais, este estímulo inflamatório permanente deveria dar origem a uma morte celular programada com o intuito de substituir as células danificadas. Contudo, as LIC conseguem desenvolver-se e proliferar, apesar da inflamação e dos danos celulares.
No estudo levado a cabo pela universidade alemã, os cientistas procuraram perceber quais as causas moleculares subjacentes a essa resistência.
O primeiro foco da investigação centrou-se num processo denominado apoptose, no sentido de tentar perceber por que algumas células cancerígenas sobrevivem mais tempo do que o devido. Contudo, o facto de os processos inflamatórios ocorrerem nas LIC levou Jost e seus colegas a seguirem outra direção. Uma outra forma de iniciar a morte celular é através de um processo denominado necroptose. Enquanto na apoptose a célula diminui de tamanho de forma coordenada, na necroptose ocorre uma destruição súbita da célula, em que esta liberta o seu conteúdo, desencadeando um forte estímulo inflamatório nas proximidades da célula. A necroptose é desencadeada pela proteína RIPK3, que inicia o processo que leva à morte celular.
Nesta investigação, os cientistas descobriram, através de experiências em culturas de células, que o RIPK3 é bloqueado no interior das LIC, o que faz com que as células da leucemia sobrevivam muito mais tempo. Isto é acompanhado por uma forte divisão celular e por uma conversão para células sanguíneas não funcionais (blastos).
“Concluímos, a partir dos nossos achados, que as células cancerígenas particularmente agressivas possuem a capacidade de bloquear o RIPK3”, revelou um dos autores do estudo, Ulrike Höckendorf, em comunicado reproduzido no sítio da universidade alemã. Contudo, “como isto acontece ao certo é algo que, no entanto, permanece por ser investigado”, concluiu.
A necroptose das LIC tem repercussões que afetam também as células da leucemia circundantes. Os estímulos inflamatórios provocados durante a necroptose são significativamente mais intensos do que os processos provocados pela mutação no gene FLT3 numa LIC. Esta inflamação tem efeitos positivos na área circundante da célula: induzidas pelas substâncias mensageiras libertadas, as células da leucemia vizinhas começam a maturar de forma semelhante a células saudáveis, conduzindo a uma progressão menos agressiva da doença.
Com a morte celular bloqueada (visto que a apoptose também é neutralizada em muitas células cancerígenas), as LIC individuais conseguem sobreviver e proliferar mesmo após quimioterapia e radioterapia.
“Os novos achados sobre o impacto da via sinalizadora da RIPK3 e as substâncias mensageiras libertadas podem abrir novas possibilidades de tratamento para a leucemia”, afirma Philipp Jost.