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Era aquilo que os dirigentes dos sindicatos que convocaram a segunda “greve cirúrgica” temiam: o director clínico de uma das unidades onde está a decorrer a paralisação nos blocos operatórios, o Centro Hospitalar Universitário do Porto (Santo António), José Barros, disse nesta terça-feira que os enfermeiros não cumpriram os serviços mínimos decretados para a paralisação e que foram operados apenas cinco dos 26 doentes considerados “prioritários”.
O presidente da secção regional do Norte da Ordem dos Médicos, António Araújo, adiantou entretanto à Lusa que nos outros hospitais da região afectados por este protesto – os centros hospitalares de São João e o de Vila Nova de Gaia — também não terão sido cumpridos os serviços mínimos decretados pelo tribunal arbitral, não tendo sido operados pacientes com doença oncológica, segundo afirma.
Horas depois, a administração do Centro Hospitalar de Tondela-Viseu adiantou igualmente que nesta terça-feira, ao contrário do que aconteceu nos primeiros dias da paralisação, "não foram operados 7 (sete) dos doentes que cumpriam os critérios dos serviços mínimos, por recusa dos enfermeiros".
Se se provar que os serviços mínimos não foram cumpridos, há fundamento para que o Governo avance com uma requisição civil dos enfermeiros, possibilidade que o Ministério da Saúde admitiu já estar em estudo.
Na segunda-feira, a presidente da Associação Sindical dos Enfermeiros Portugueses (ASPE), Lúcia Leite, queixava-se de que o alargamento dos serviços mínimos nesta segunda fase do inédito protesto — a primeira greve “cirúrgica” prolongou-se por 40 dias no final do ano passado e levou ao adiamento de cerca 7500 cirurgias — estava a inviabilizar o seu cumprimento e que, por isso, entendia que a protesto estava a ser “boicotado”.
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