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O presidente da Ordem dos Médicos/Norte manifestou hoje "alguma estranheza" com a intenção do Governo de criar "uma nova unidade de saúde para tratamento de doentes com cancro, com recurso a terapias de feixes de partículas de elevada energia".
Em declarações à Lusa, António Araújo afirmou que "em Portugal existirão no máximo dez, 12 doentes por ano para fazer este tipo de tratamento".
"A nós causa-nos alguma estranheza, por ocorrer numa altura em que não existe dinheiro para equipar as unidades do Serviço Nacional de Saúde (SNS), nomeadamente com tomografias computorizadas (TAC) e com ressonâncias magnéticas. Está-se, logo à partida, a pensar gastar uma verba muito elevada num só aparelho, que pouco servirá ao SNS", disse.
O oncologista e presidente da Ordem dos Médicos/Norte disse estranhar também que se aloque "uma verba de imediato de dez milhões de euros para os próximos cinco anos para contratar doutorados e médicos para este projeto, quando, por exemplo, a Fundação para a Ciência e Tecnologia [FCT] tem tido uma redução substancial de verba e tem reduzido muito o apoio a doutorandos e mestrandos investigadores em Portugal".
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