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Investigadores suíços desenvolveram um anticorpo que é capaz de se ligar seletivamente aos depósitos da proteína beta-amiloide, característicos da doença de Alzheimer, e permitir que um tipo de células cerebrais eliminem as placas beta-amiloide, dá conta um estudo publicado na revista "Nature".
Apesar de as causas da doença de Alzheimer ainda permanecerem desconhecidas, acredita-se que a doença tenha início com a acumulação progressiva da proteína beta-amiloide nos cérebros dos indivíduos afetados cerca de 10 a 15 anos antes de os sintomas clínicos aparecerem, como a perda de memória.
O ensaio clínico, que envolveu 165 pacientes e que foi levado a cabo pelos investigadores da Universidade de Zurique, na Suíça, conjuntamente com a Biogen e com uma spin-off da universidade, a Neurimmune, constatou que o tratamento com o anticorpo, o Aducanumab, ao longo de um ano eliminou quase completamente as placas beta-amiloide em indivíduos com doença de Alzheimer.
Roger M. Nitsch, um dos autores do estudo, referiu que o efeito do anticorpo é impressionante, sendo o resultado dependente da dose e duração do tratamento.
No estudo, liderado por Alfred Sandrock, os investigadores isolaram células do sistema imunitário, cujos anticorpos são capazes de identificar as placas de proteína beta-amiloide tóxica, mas não o percursor da proteína que está presente no corpo humano e que provavelmente desempenha um papel importante no crescimento das células nervosas.
Os cientistas defendem que o bom perfil de segurança associado ao Aducanumab pode ser atribuído à capacidade de este anticorpo se ligar ao fragmento da proteína beta-amiloide que tem uma conformação alterada.
Apesar de não ser o objetivo inicial desta fase da investigação, os cientistas avaliaram, através de questionários, como o tratamento afetava a capacidade cognitiva. Verificou-se que enquanto no grupo de controlo os pacientes sofreram um declínio cognitivo, esta capacidade manteve-se estável nos indivíduos tratados com o anticorpo.
Estes resultados promissores alcançados com o Aducanumab estão a ser atualmente investigados em dois ensaios de maiores dimensões, que incluem um total de 2.700 pacientes oriundos da América do Norte, Europa e Ásia, para avaliação da sua segurança e eficácia.