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Os indivíduos com um transtorno psiquiátrico que envolve episódios recorrentes de raiva extrema e impulsiva apresentam um risco duas vezes maior de terem sido expostos a um parasita comum do que indivíduos saudáveis sem este diagnóstico psiquiátrico, dá conta um estudo publicado no “Journal of Clinical Psychiatry”.
O estudo levado a cabo pelos investigadores da Universidade de Chicago, nos EUA, apurou que a toxoplasmose, uma infeção parasitária relativamente inofensiva, que afeta cerca de 30% de todos os seres humanos, está associada a um transtorno explosivo intermitente e aumento da agressividade.
“O nosso estudo sugere que a infeção latente do Toxoplasma gondii pode alterar a química do cérebro de uma forma que aumenta o risco de comportamento agressivo”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Emil Coccaro.
O transtorno explosivo intermitente caracterizado por explosões recorrentes, impulsivas e problemáticas, que podem envolver agressão verbal ou física e que são desproporcionadas em relação às situações que as provocam.
Com o intuito de melhorar o diagnóstico e tratamento do transtorno explosivo intermitente, os investigadores, liderados por Teodor T. Postolache, decidiram analisar a possível associação entre este distúrbio e a toxoplasmose. Esta infeção transmitida através das fezes de gatos infetados, carne mal cozinhada ou água contaminada permanece habitualmente latente e inofensiva nos adultos saudáveis. Contudo, sabe-se que estes parasitas residem no tecido cerebral e têm sido associados a várias doenças psiquiátricas, incluindo esquizofrenia, doença bipolar e comportamento suicida.
Para o estudo, os investigadores contaram com a participação de 358 adultos. Cerca de um terço dos participantes tinha transtorno explosivo intermitente, o outro terço incluiu indivíduos saudáveis sem antecedentes psiquiátricos e o último terço englobava pacientes com alguns doenças psiquiátricas que não o transtorno explosivo intermitente. Este último grupo funcionou como controlo para distinguir entre o transtorno explosivo intermitente de outros possíveis fatores psiquiátricos que poderiam afetar a análise.
Os investigadores constataram que os indivíduos com transtorno explosivo intermitente tinham um risco mais de duas vezes superior de terem um teste sanguíneo positivo para a toxoplasmose, comparativamente com o grupo de controlo (22% contra 9%).
O estudo apurou ainda que cerca de 16% dos indivíduos com doenças mentais apresentavam um teste positivo para a toxoplasmose. Contudo, este grupo tinha resultados similares aos encontrados no grupo de controlo relativamente aos testes de agressividade e impulsividade. Por outro lado, os pacientes com transtorno explosivo intermitente apresentavam resultados bem mais elevados comparativamente com o grupo de controlo.
No geral, os indivíduos com teste da toxoplasmose positivo apresentavam pontuações mais elevadas nos testes de raiva e agressão. Verificou-se que havia uma associação entre a toxoplasmose e aumento da impulsividade, mas quando as pontuações de agressão foram ajustadas, esta ligação tornou-se pouco significativa. Estes resultados sugerem que a toxoplasmose e a agressão estão mais fortemente relacionadas.
Os investigadores referem que estes resultados não abordam se a infeção pelo parasita pode causar um aumento da agressividade ou transtorno explosivo intermitente. Na opinião de um dos coautores do estudo, são necessários mais estudos para esclarecer esta associação.