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Investigadores americanos desenvolveram uma potencial terapia para a isquemia crítica dos membros, uma condição que é a manifestação da doença arterial periférica avançada e que causa má circulação nos membros, dá conta um estudo publicado no “Journal of the American College of Cardiology: Basic to Translational Science”.
Na opinião dos investigadores da Universidade da Califórnia, nos EUA, a nova terapia poderá evitar ou limitar as amputações a que 230 mil indivíduos na América do Norte e na Europa são submetidos anualmente, impedindo a disseminação da infeção e a morte dos tecidos.
A terapia consiste em injetar um gel derivado da matriz extracelular no tecido músculo-esquelético da área afetada. Após terem testado o procedimento num modelo de ratinho, os investigadores verificaram que este promove a remodelação do músculo e melhora o fluxo sanguíneo.
"Esta é uma abordagem única, uma vez que não só ajuda a reparar o sistema vascular danificado, como também ajuda a restaurar o tecido muscular", revelou, em comunicado de imprensa, uma das autoras do estudo, Karen Christman.
Os pacientes com doença arterial periférica sofrem de má circulação nos membros, o que pode conduzir a danos críticos nos tecidos. Esta condição está associada à aterosclerose nos idosos, à diabetes e ao tabagismo.
Na forma mais extrema, denominada isquemia crítica do membro, uma obstrução grave das artérias nos membros reduz o fluxo de sangue para mãos, pés e pernas. Alguns dos pacientes têm dores fortes nos membros, outros apresentam necrose tecidual, ou feridas que não cicatrizam e infetam devido à falta de fluxo sanguíneo adequado.
Um dos autores do estudo, Ehtisham Mahmud, explicou que para estes pacientes, a cirurgia tradicional ou os procedimentos endovasculares são muitas vezes capazes de restabelecer o fluxo sanguíneo normal. Contudo, quando estas intervenções falham ou são impossíveis de realizar, as opções ficam limitadas. Até à data, as potenciais terapias incluem, a utilização do fator de crescimento, terapia genética ou celular, mas estas parecem ser problemáticas e dispendiosas. As amputações acabam por ser uma opção comum para o tratamento de casos graves de isquemia crítica do membro.
No estudo, os investigadores injetaram um gel, derivado do músculo-esquelético, na área afetada de um modelo de ratinho da doença, sete dias após cirurgia. O fluxo sanguíneo foi monitorizado até 35 dias após a injeção.
O estudo apurou que o hidrogel aumentou o diâmetro dos vasos sanguíneos dos animais. O aumento do diâmetro melhorou o fluxo sanguíneo nos membros. Ao trigésimo quinto dia, o tamanho e a estrutura das fibras musculares dos ratinhos tratados com o hidrogel era comparável à dos animais saudáveis.
O gel, que forma uma estrutura de suporte fibroso após injeção, também atraiu células estaminais musculares para a área afetada. A análise da expressão genética demonstrou que a resposta inflamatória e a morte celular diminuíram, enquanto os vasos sanguíneos e as vias envolvidas no desenvolvimento muscular estavam aumentados nos animais tratados.