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Cientistas norte-americanos desenvolveram uma nova forma de estabilizar amostras de sangue à base da seda durante longos períodos de tempo, sem refrigeração e a altas temperaturas, revela um artigo publicado no “Proceedings of the National Academy of Sciences”. Esta técnica poderá ter várias aplicações no âmbito dos cuidados de saúde e na investigação, segundo os autores.
O sangue é composto por vários componentes que são frequentemente utilizados como biomarcadores no rastreio, monitorização e diagnóstico de doenças. Visto que a recolha de sangue nem sempre é realizada no ambiente controlado de um laboratório, caso a amostra não seja guardada num ambiente com temperatura controlada, estes biomarcadores podem deteriorar-se rapidamente, colocando em causa a fiabilidade dos resultados à análise do sangue. Embora existam algumas soluções que tentam ultrapassar esta dificuldade, como secar o sangue em papel, estas ainda não conseguem proteger os biomarcadores de forma eficaz do calor e da humidade.
Os cientistas da Universidade de Tufts, nos EUA, juntaram uma solução ou pó de fibroína purificada de seda extraída do casulo de bichos-da-seda com sangue ou plasma e secaram a mistura ao ar. As fitas de seda secadas ao ar foram depois armazenadas num local onde a temperatura variou entre os 22ºC e 45ºC. Seguidamente, de acordo com determinados períodos de tempo estabelecidos, as amostras de sangue foram recuperadas, dissolvendo as fitas em água, e analisadas.
Os investigadores descobriram que as amostras de sangue mantiveram os biomarcadores em condições para serem analisados mesmo após 84 dias e em temperaturas que chegaram aos 45ºC.
“O encapsulamento de amostras em seda ofereceu melhor proteção do que a abordagem tradicional da secagem em papel, especialmente nas temperaturas elevadas que será possível encontrar no transporte para o estrangeiro ou durante o verão”, adiantou Jonathan A. Kluge, primeiro coautor do estudo, em comunicado da universidade.
Os autores notam ainda que a técnica baseada na seda requer que se conheça com exatidão o volume inicial de sangue ou de outras amostras, e que são necessários sais e outros tampões para a reconstrução das amostras para uma análise fiável de certos marcadores.
Os cientistas acreditam que “esta técnica deverá facilitar a recolha de amostras de sangue de pacientes em ambulatório para o rastreio e monitorização de doenças”, nomeadamente de populações com pouco acesso a cuidados de saúde. Além disso, os autores apontam ainda os cientistas e os profissionais de saúde sem acesso a locais de análise centralizados como outros dos beneficiários desta técnica. “Isto poderá ser útil em estudos epidemiológicos de grande escala ou em ensaios farmacológicos remotos”, exemplifica Kluge.