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Um estudo sobre as proteínas que atuam na divisão celular desenvolvido por um cientista do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S) recebeu o Prémio Montepio, de 10 mil euros.
O objetivo do projeto era "perceber de que maneira determinadas proteínas, que formam uma estrutura denominada microtúbulos (parte integrante do esqueleto da célula), regulam a divisão celular", disse à agência Lusa o investigador, Jorge Ferreira.
Adicionalmente pretendia-se verificar quais as alterações e consequências para a célula quando essas proteínas estruturais eram alteradas.
O estudo apurou que com a manipulação dessas proteínas, fundamentais para o processo de divisão celular, ocorriam alguns erros relevantes "para o normal desenvolvimento da célula", explicou o investigador.
Jorge Ferreira identificou qual o mecanismo regulador do processo de divisão celular, permitindo "definir um conjunto de fatores essenciais para que o trânsito das células, através desse processo, ocorra normalmente".
O cancro "é um dos problemas que está, muitas vezes, associado a defeitos na divisão celular", disse o investigador, acrescentando que outro dos propósitos do estudo foi tentar estabelecer a relação entre esses erros e a patologia.
"Quando uma célula se divide, o expectável é que as células-filhas sejam iguais à célula-mãe mas, nos casos de formações anómalas, ao invés de seguirem o processo normal, formava-se uma única célula com o dobro do material genético", explicou.
Para o investigador, que se sente "grato pela distinção", "todas as iniciativas que permitam dar mais visibilidade à ciência que é feita em Portugal são extremamente importantes".
"Acima de tudo, uma distinção como esta leva-nos a transmitir ao público em geral aquilo que fazemos de uma maneira mais inteligível e, ao mesmo tempo, mostra que o que fazemos tem impacto, que todo o trabalho e esforço valeram a pena, sendo também um incentivo para continuar a trabalhar em ciência".