Data

18 Jul 2016



Fonte

ALERT Life Sciences Computing, S.A.





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Perda de peso diminui níveis de proteínas associadas ao crescimento tumoral

Estudo publicado na revista ''Cancer Research''

As mulheres com excesso de peso ou obesas que emagrecem através da dieta ou prática de exercício diminuem os níveis de determinadas proteínas que ajudam os tumores a crescer, sugere um estudo publicado na revista “Cancer Research”

A angiogénese é uma função vital na qual há formação de novos vasos sanguíneos durante, nomeadamente a cicatrização de feridas. Infelizmente, uma parte importante do crescimento e desenvolvimento tumoral também depende da existência de vasos sanguíneos para o transporte de nutrientes e oxigénio que permitem o tumor continuar a crescer.

Alguns investigadores sugeriram que a “angioprevenção”, ou seja, o bloqueio do crescimento tumoral através da prevenção da angiogénese, pode ser uma estratégia importante para a prevenção do cancro nos indivíduos saudáveis. Contudo, os fármacos que bloqueiam este processo têm potenciais efeitos secundários, o que dificulta a sua utilização na prevenção do cancro.

Para o estudo, os investigadores do Centro de Investigação do Cancro Fred Hutchinson, nos EUA, contaram com a participação de 439 mulheres com excesso de peso/obesas, saudáveis e sedentárias que tinham entre 50 a 75 anos de idade. As participantes foram aleatoriamente distribuídas por quatro grupos distintos para avaliação do efeito do exercício e da dieta nos níveis de proteínas em circulação associadas à angiogénese.

Um dos grupos foi submetido a uma dieta de restrição calórica, na qual as mulheres não podiam ingerir mais do que duas mil calorias por dia e que incluía menos de 30% de calorias provenientes da gordura. No grupo do exercício aeróbico, as participantes praticaram 45 minutos de exercício de intensidade moderada a vigorosa cinco dias por semana. O terceiro grupo era constituído por participantes submetidas à dieta e simultaneamente ao exercício físico. O quarto grupo funcionou como grupo de controlo. Foram recolhidas amostras de sangue no início do estudo e após 12 meses.

Após terem ajustado os dados referentes ao índice de massa corporal e raça/etnia, os investigadores constaram que após 12 meses de intervenção, as mulheres incluídas no grupo da dieta, da prática de exercício físico e simultaneamente submetidas à dieta e exercício perderam, em média, 8,5, 2,4, e 10,8% do peso corporal, respetivamente. Estas perdas foram significativamente mais elevadas do que a média da perda de peso das mulheres incluídas no grupo de controlo, que apenas conseguiram uma diminuição de cerca de 0,8% do peso.

Após 12 meses e comparativamente com as mulheres do grupo de controlo, as do grupo da dieta e as incluídas no grupo que praticou exercício e simultaneamente dieta apresentaram níveis mais baixos de proteínas associadas à angiogénese. Esta redução não foi observada no grupo que apenas praticou exercício físico. Foi também observada uma tendência linear na reduções, ou seja, quanto mais peso perdiam maior era a redução nos níveis deste tipo de proteínas, que incluíram a VEGF, a PAI-1 e a PEDF.

De acordo com Catherine Duggan, uma das autoras do estudo, estes achados mostram que a perda de peso é um método seguro e eficaz na melhoria do perfil angiogénico nos indivíduos saudáveis. “Ficámos surpreendidos pela magnitude da alteração destes biomarcadores com a perda de peso”, referiu a investigadora.

Catherine Duggan acrescenta que, apesar de ainda não se saber ao certo se a redução dos níveis dos fatores angiogénicos, através da dieta, tem impacto no crescimento dos tumores, é possível que estes possam estar associados a um ambiente menos favorável ao crescimento e proliferação do tumor.

“O nosso estudo demonstrou que fazer pequenas alterações no estilo de vida, nestes caso, alterações simples à dieta para reduzir o peso, pode diminuir os fatores de risco para o cancro”, concluiu a investigadora.