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O consumo de elevadas quantidades de gorduras insaturadas está associado a uma mortalidade mais baixa, sugere um estudo publicado no “JAMA Internal Medicine”.
O estudo conduzido pelos investigadores da Universidade de Harvard, nos EUA, sugere que a substituição de gorduras saturas, como a manteiga, banha e a gordura presente na carne vermelha, por gorduras de origem vegetal, como o azeite, pode fornecer benefícios substanciais para saúde e deve ser a mensagem principal das recomendações dietéticas.
Para o estudo os investigadores contaram com a participação de 126.233 indivíduos que responderem, a cada dois a quatro anos, a um questionário sobre a dieta, estilo de vida e saúde. Ao longo dos 32 anos do período de acompanhamento ocorreram 33.304 mortes. Foi analisada a relação entre o tipo de gordura consumida e as mortes ocorridas, bem como aquelas resultantes da doença cardiovascular, cancro, doença neurodegenerativa e doença respiratória.
Os investigadores constataram que as gorduras trans tinham o efeito adverso mais significativo na saúde. O aumento de 2% na ingestão deste tipo de gordura estava associado a um risco 16% maior de morte prematura, ao longo do período de acompanhamento. Um maior consumo de gorduras saturadas também foi associado a um maior risco de mortalidade. Comparativamente com o mesmo número de calorias ingeridas através dos hidratos de carbono, cada aumento de 5% de gordura saturada estava associado a um risco 8% maior de mortalidade global.
Por outro lado, a ingestão de elevadas quantidades de gorduras insaturadas (polinsaturadas e monoinsaturadas) estava associada a uma redução do risco da mortalidade entre 11 a 19%, comparativamente com o mesmo número de calorias consumidas através dos hidratos de carbono. Entre as gorduras polinsaturadas, tanto o ácido gordo ómega -6 (presente nos óleos vegetais) como o ácido gordo ómega-3 (presente no peixe e no óleo de soja) foram associados a um menor risco de morte prematura.
O estudo também apurou que os indivíduos que substituíam as gorduras saturadas por insaturadas apresentavam um risco significativamente menor de morte global, assim como de morte devido a doenças cardiovasculares, cancro, doença neurodegenerativa e doenças respiratórias, comparativamente com aqueles que mantiveram um consumo elevado de gorduras saturadas.
A substituição de gorduras saturadas por hidratos de carbono teve apenas um pequeno efeito na diminuição do risco da mortalidade.
“O nosso estudo mostra a importância da eliminação das gorduras trans e da substituição das gorduras saturadas pelas insaturadas (…). Na prática isto pode ser alcançado pela substituição de gorduras animais por óleos vegetais”, conclui um dos autores do estudo, Frank Hu.