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Investigadores do Reino Unido constataram que a informação epigenética contida no óvulo influencia o desenvolvimento da placenta durante a gravidez, dá conta um estudo publicada na revista “Developmental Cell”.
O estudo levado a cabo pelos investigadores da Universidade de Londres, no Reino Unido, indica que a saúde da mãe, mesmo antes da conceção, pode influenciar a saúde do feto, abrindo novas questões na forma como a idade da mãe influencia o desenvolvimento da placenta.
A informação epigenética não está codificada na sequência do ADN, mas é fundamental para determinar quais os genes que estão ativados ou desativados. Uma das formas de se conseguir isto é através da metilação do ADN, um processo biológico, onde o ADN é quimicamente marcado para silenciar os genes. As marcas da metilação do ADN estabelecem-se em cada óvulo durante o seu desenvolvimento nos ovários e, após a fertilização, algumas dessas marcas são transferidas para o feto e para a placenta.
Até à data os estudos têm-se focado num número pequeno de genes denominados por genes “impressos”. No entanto, existem cerca de mil outras regiões genómicas, onde a metilação no óvulo é transmitida ao embrião.
Neste estudo os investigadores, liderados por Miguel Branco, decidiram explorar a importância deste tipo de metilação no desenvolvimento da placenta, um órgão vital na gravidez.
"Ficamos surpresos por termos descoberto que a metilação do ADN do óvulo desempenha um papel muito maior no desenvolvimento da placenta que a metilação introduzida após a fecundação, enquanto no embrião ambas são importantes. A evolução, ao que parece, concedeu às mães as ferramentas para controlar o crescimento da prole durante a gravidez, dando instruções sobre o desenvolvimento da placenta”, referiu, em comunicado de imprensa, o investigador.
Através da utilização de ratinhos em que a metilação dos óvulos tinha sido bloqueada, os investigadores descobriram que, a metilação do ADN que ocorria durante o desenvolvimento do óvulo era essencial para o correto desenvolvimento da placenta.
O estudo identificou, especificamente, vários genes regulados pela metilação no óvulo que estão envolvidos na adesão celular e na migração, duas propriedades vitais para as células da placenta em desenvolvimento serem capazes de estabelecer ligações com os tecidos maternos para apoiar o desenvolvimento do embrião.
Os autores do estudo concluem assim que esta investigação abre portas no que respeita ao potencial da influência da saúde materna no feto muito antes da conceção.