Discurso da Tomada de Posse do Presidente do CRNOM

(Triénio 2020/2022)

 

 

Permitam-me iniciar por dirigir umas palavras à minha família. À minha mulher Ana, que me tem ajudado sempre em todas as minhas iniciativas, por mais absorventes que sejam, que tem sido o meu porto de abrigo, que tem, muitas vezes, descurado as suas atividades em prol das minhas – o meu Muito Obrigado. Eu sei que não é fácil aturar-me, que facilmente me deixo levar pelo trabalho e que tentas, sempre, equilibrar-me, trazer razoabilidade à minha vida diária e algum equilíbrio entre a minha vida pessoal e a profissional. Mais uma vez, Muito Obrigado.

 

Às minhas filhas, Ana e Inês, e ao meu filho, António, perdoem- -me por não estar convosco tanto tempo como gostariam que eu estivesse, perdoem-me por, por vezes, não ter tempo para vos ouvir. Aos meus pais, aqui presentes, Muito Obrigado por me terem dado a educação e as condições que me permitiram chegar até aqui.

 

Ao meu irmão, muito obrigado pelo companheirismo, pela amizade, pelas discussões intensas e prolongadas que sempre tivemos, fruto de algumas das nossas divergências. Espero que continues a exercer o teu cargo com a sensibilidade que os profissionais de saúde e os doentes exigem e têm direito.

 

Terminado este processo eleitoral, cumpre-me também expressar o meu agradecimento à equipa que tenho o privilégio de representar e liderar. Não irei nomear ninguém, porque todos foram excepcionais, e só espero continuar a estar à altura das responsabilidades. Conseguimos realizar uma campanha objectiva e clara, estando com os colegas nos seus locais de trabalho, ouvindo-os, reconhecendo os problemas que os apoquentam diariamente e aqueles que se lhes colocarão no futuro próximo. Conseguimos apre sentar e discutir as soluções que iremos defender, esclarecemos e aprendemos. Muito obrigado a todos pelo estímulo e pelo empenho permanente, pela dedicação e pelo trabalho realizado.

 

Nesta altura, gostaria de relembrar um grande Homem e Amigo, o Dr. José Guimarães dos Santos, falecido no passado dia 31 de Janeiro. Ele vai ser sempre recordado como um ser humano de excepção, um médico notável e um cirurgião oncológico de excelência, reconhecido internacionalmente, foi o obreiro do centro do Porto do Instituto Português de Oncologia, foi presidente do Conselho Regional do Norte da Ordem dos Médicos por três mandatos, foi um dos membros fundadores da Casa do Médico no Porto e presidente da Sociedade Portuguesa de Oncologia. Um exemplo de dedicação, conhecimento, qualidade, solidariedade, exigência, organização, planeamento, trabalho em equipa, um exemplo de verdadeira liderança. Foi um Médico completo e, acima de tudo, uma pessoa Boa na verdadeira e completa acepção da palavra, com quem tive o privilégio de trabalhar em variadas ocasiões e que me ensinou muito nas múltiplas vezes em que estivemos juntos. Bem Haja caro Amigo e até sempre.

 

Por fim, um agradecimento reconhecido a todo o pessoal da Secção Regional do Norte, na pessoa da Sra. Eng. Susana Borges. A vossa dedicação, o vosso empenho e a vossa lealdade permitem fazer com que o trabalho diário e organizações como esta sejam um su cesso. Os médicos estão-vos agradecidos.

 

Os resultados destas eleições são históricos e, para além de estarem ligados à implementação pela primeira vez do voto electrónico (uma das nossas promessas do mandato que agora findou), estão, também e temos a certeza disso, directamente relacionados com todo o trabalho que tem sido feito nos últimos anos pelo nosso Bastonário e por muitos dos elementos da equipa que hoje tomou posse. Assumimos desde o início e com muito orgulho que somos uma lista que tinha, e que tem, como objectivo manter a actividade desta secção regional no nível de excelência a que os colegas estão acostumados. A nível interno, continuamos a pretender reforçar a participação dos Conselhos Sub-Regionais nas actividades da Ordem e descentralizar algumas das actividades pelas diversas sub-regiões, para que aqueles possam estreitar a sua relação de proximidade com os médicos. Pretendemos continuar a visitar periodicamente os colegas nos seus locais de trabalho, tentando antecipar os problemas, contribuindo de uma forma activa e serena, mas firme, para a sua resolução, estabelecendo pontes de diálogo entre os médicos e os conselhos de administração das unidades de saúde e, se possível, com a Administração Regional de Saúde.

 

Vamos manter a certificação de qualidade da Secção Regional do Norte, actualizando e adequando os procedimentos administrativos, bem como a divulgação e o fortalecimento do balcão electrónico, de modo a dar respostas atempadas a todas as solicitações.

Continuaremos a garantir um apoio jurídico, especializado em Direito da Medicina, eficiente e em tempo útil. Pretendemos defender o reforço do papel do Fundo de Solidariedade da Ordem dos Médicos bem como o do Fundo de Apoio à Formação dos Médicos.

Vamos aprofundar o nosso empenho na promoção de actividades de investigação realizadas pelos médicos, através da implementação de mais prémios e bolsas.

 

Pretendemos reforçar as reuniões de carácter científico, político ou lúdico em todas as instalações da Secção Regional do Norte, independentemente da sua localização geográfica, para as tornar, cada vez mais, na Casa do Médico, no local onde os médicos e as suas famílias se sintam confortáveis, bem acolhidos, entre os seus pares.

No plano de actuação política, ao contrário de outros, temos vindo a publicar as nossas posições, temos defendido publicamente os nossos pontos de vista e assim continuaremos a fazer.

Tal como referimos no nosso programa eleitoral, a nossa acção será conduzida pelo trabalho firme e corajoso na defesa intransigente dos médicos e dos doentes, pugnando por um quadro normativo que garanta uma Medicina de qualidade, que respeite as “leges artis”, que sublinhe a relação médico-doente, que afiance sustentabilidade ao Serviço Nacional de Saúde (SNS) e que mantenha a equidade na acessibilidade à inovação terapêutica. Acreditamos numa Medicina centrada no doente, baseada na evidência científica e assente em boas condições de trabalho, pelo que pugnaremos sempre pelas soluções e medidas que, de acordo com a Ética e a Deontologia Médicas, melhor sirvam a Medicina, os médicos e os doentes. Acreditamos numa Ordem dos Médicos que se imponha pela defesa de uma formação médica de qualidade e ajustada às necessidades do país, por uma formação pós-graduada contínua que permita a evolução profissional e pela defesa do Acto Médico e do seu regulamento. Defendemos uma Medicina de qualidade, digna e que produza elevados graus de satisfação para os médicos e para os doentes.

 

Assim, pretendemos lutar, em conjunto com todas as Faculdades de Medicina, para que finalmente se estabeleça uma redução gradual do numerus clausus, de forma a adequá-lo às capacidades formativas das diversas Faculdades de Medicina e às necessidades do país, garantindo uma formação sólida e de qualidade. Lutaremos, sempre e tenazmente, contra a abertura de novos cursos de Medicina que não garantam a qualidade exigível, independentemente dos interesses em causa. A nível pós-graduado, pretendemos trabalhar com os Colégios de Especialidade, para aprofundarmos o trabalho de definição e actualização de programas mínimos de formação e dos inquéritos das idoneidades, bem como para maximizar as capacidades formativas, sempre com a manutenção da qualidade dos internatos nos diversos serviços.

 

Pretendemos defender o reforço do Serviço Nacional de Saúde, como base estruturante da organização da saúde em Portugal, dotado de um orçamento adequado às reais necessidades do país, que permita recrutar os meios humanos necessários à prossecução dos seus objectivos e que possibilite o investimento e a renovação das suas estruturas e dos seus meios materiais. Defendemos a necessidade da definição de critérios de qualidade para os sistemas informáticos em saúde e a actualização contínua das plataformas informáticas, para que aqueles e estas se tornem em instrumentos efectivamente úteis para a prática clínica diária. Defendemos a existência e a implementação das carreiras médicas, como suporte de qualidade da Medicina Portuguesa e como garante da qualidade do SNS, pelo que pretendemos pugnar pela abertura regular de concursos para provimento de vagas e para progressão na carreira. Acreditamos na complementaridade de Medicina Privada e da Medicina Convencionada, com respeito pelos mesmos princIpios e valores do SNS.

 

Acreditamos que com a manutenção de uma colaboração activa, comprometida e sinérgica, com as outras estruturas representativas dos médicos, nomeadamente os Sindicatos Médicos, as Associações e Sociedades Médicas, as Associações de Estudantes e as Faculdades de Medicina, bem como com a nossa participação no Conselho Nacional das Ordens Profissionais, permitirá atingir os resultados a que nos propomos. Pretendemos incrementar as relações com a Comunidade Médica de Língua Portuguesa, a nível da formação e do desenvolvimento profissionais, bem como estreitar as relações com a Comunidade Médica Espanhola, de modo a aumentar o nosso poder negocial ao nível da União Europeia e a promover a dignidade do exercício da Medi cina no espaço ibérico.

 

Consideramos o diálogo entre os médicos, através da Ordem dos Médicos, e as estruturas dirigentes das diversas unidades de saúde, as várias organizações do Ministério da Saúde e directamente com a própria tutela política, uma peça fundamental para se conseguirem consensualizar as melhores soluções nos vários domínios do exercício da Medicina. Mas reiteramos a nossa intenção de, serenamente, nos mantermos intransigentes, firmes e, extrema mente, claros na defesa dos nossos propósitos. Para a Saúde em Portugal, mais do que soluções políticas de circunstância, pretendemos defender as que visem um horizonte de várias décadas, baseadas mais na evidência científica e nos interesses superiores do país e menos nos interesses partidários. Se é possível em Medicina ser cientificamente objectivo e exercer uma Medicina baseada na evidência, também os nossos dirigentes políticos se deverão habituar a decidir segundo os mais elevados conhecimentos científicos sobre as diversas matérias. Não iremos admitir juízos de valor individual em questões-chave, nem iremos mais permitir que pessoas com elevadas responsabilidades no país tomem o indivíduo pelo conjunto e denigram despudoradamente os Médicos.

 

Termino, reiterando que os corpos dirigentes da Secção Regional do Norte acreditam na Medicina que nos ensinaram nas Faculdades, na dignificação dos médicos e do acto médico, nos valores e princípios que devem orientar a nossa forma de estar na sociedade, nas mudanças que são necessárias e no futuro. Os corpos dirigentes da Secção Regional do Norte acreditam na necessidade de centrar o Exercício da Medicina no doente, na valorização da relação médico- -doente e no exercício de uma Medicina com Qualidade. Os corpos dirigentes da Secção Regional do Norte acreditam que uma Ordem dos Médicos sólida, que congregue realmente em torno de si os Médicos, será o baluarte de uma Medicina de grande qualidade, para o bem dos doentes, da Medicina, do SNS e do país.

 

Muito obrigado pela vossa presença e pela vossa atenção. E…lutem sempre pela vossa felicidade e pela dos nossos cidadãos.

 

 

 

António Araújo

Presidente do Conselho Regional do Norte da
Ordem dos Médicos