Data

15 Jul 2016



Fonte

ALERT Life Sciences Computing, S.A.





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Adoçantes artificiais podem aumentar apetite

Estudo publicado na revista ''Cell Metabolism''


Investigadores australianos descobriram por que motivo os adoçantes artificiais podem aumentar o apetite, tendo identificado um novo sistema no cérebro que deteta e integra o conteúdo doce e energético dos alimentos, refere um estudo publicado na revista “Cell Metabolism”.

Milhões de pessoas no mundo inteiro consomem adoçantes artificiais, sendo estes prescritos como uma ferramenta para tratar a obesidade, apesar de, até à data, pouco de saber do seu real impacto no cérebro e na regulação da saciedade.

Este estudo, levado a cabo pelos investigadores da Universidade de Sydney, na Austrália, identificou como os adoçantes artificiais podem estimular o apetite, bem como uma rede neuronal complexa que responde aos alimentos adoçados artificialmente diz ao organismo que não ingeriu energia suficiente.

No estudo, os investigadores expuseram moscas da fruta a uma dieta com adoçante artificial durante longos períodos de tempo, tendo verificado que estes animais consumiam 30% mais calorias que aqueles que ingeriam alimentos com adoçantes naturais.

Após terem investigado por que motivo os animais estavam a comer mais, apesar de terem ingerido as calorias necessárias, os investigadores verificaram que o consumo crónico do adoçante artificial aumentava a intensidade da doçura do açúcar, que por sua vez aumentava a motivação dos animais para ingerirem mais comida.

Através da resposta às dietas adoçadas artificialmente, os investigadores foram capazes de mapear funcionalmente uma nova via neuronal que equilibra o paladar dos alimentos com o conteúdo energético. A via descoberta faz parte de uma resposta à fome que faz com que os alimentos saibam melhor quando se está com fome.

O estudo apurou também que os adoçantes artificiais promoviam a hiperatividade, insónia e diminuíam a qualidade do sono, comportamentos consistentes com a fome leve ou jejum, com efeitos semelhantes também reportados em estudos com humanos.

Após terem replicado o mesmo estudo em ratinhos, os cientistas verificaram que aqueles que consumiam, ao longo de sete dias, uma dieta com adoçantes artificiais apresentavam um aumento significativo no consumo de alimentos e a via neuronal envolvida era a mesma que a identificada nas moscas da fruta.

Na opinião de um dos autores do estudo, Herbert Herzog, estes achados reforçam a ideia de que os alimentos e bebidas "sem açúcar" podem não ser tão inertes como se acreditava. Os adoçantes artificiais podem de facto alterar a forma como os animais detetam o sabor doce e os níveis de energia, levando a um aumento do consumo de calorias.