Primeiro os Doentes



A situação que atualmente se vive na Saúde em Portugal é complexa e tem merecido a nossa inteira atenção e reflexão.

As denúncias que chegam à Ordem sobre doentes adiados com situações clínicas complexas, como consequência da “greve cirúrgica” em curso, são preocupantes e não podem deixar ninguém indiferente.

 

Doentes com patologias graves, nomeadamente oncológicas, que correm o sério risco de perder a possibilidade de ficarem curados, deviam ser motivo de união de esforços e vontades de todos nós no sentido de encontrar uma solução adequada para que aquelas pessoas possam continuar a ter esperança e uma vida feliz.

 

A Ordem dos Médicos estranha o silêncio do Governo e a passividade do Ministério da Saúde em encontrar uma solução que possa contribuir para encontrar pontes que permitam uma resposta adequada para os doentes com situações clínicas complexas.

A situação degradante em que se encontra o SNS é da responsabilidade de sucessivos Governos e exige de todos uma resposta assertiva e musculada, mas que respeite a razão de ser do próprio SNS, os doentes e cidadãos que necessitam de cuidados de saúde e, em particular, aqueles que são considerados prioritários devido à gravidade da sua doença.

 

É verdade que os Governos não têm respeitado a dignidade dos profissionais de saúde, a alma do SNS. Todos nós sentimos o desprezo e violência psicológica na forma como somos tratados no dia a dia. Todos nós conhecemos as insuficiências e deficiências que existem no sector público da Saúde. Têm sido os profissionais de saúde, através do seu enorme esforço e dedicação, os principais responsáveis por transformar um SNS frágil num SNS mais forte. Sempre a pensar na defesa dos doentes, no servir a causa pública.

 

Ninguém respeita mais as pessoas do que os profissionais que trabalham na área da saúde. É onde o espírito humanista e a compaixão mais se fazem sentir. É preciso salvar o SNS. Mas salvar o SNS é salvar os doentes, e não deixá-los à sua sorte.

 

A Ordem dos Médicos apela ao Ministério da Saúde que assuma a sua responsabilidade política pela situação complexa que temos pela frente:

 

- É essencial que os diretores clínicos dos hospitais em que decorre a “greve cirúrgica” divulguem diariamente o número de doentes não operados e a gravidade das situações clínicas. Os portugueses têm direito a saber a verdade dos números e a gravidade das situações.
- É imperioso que o Ministério da Saúde apresente aos portugueses uma solução para os doentes com patologias graves, de acordo com as regras existentes e criadas pelo próprio Governo;
- É essencial que os portugueses conheçam a base de entendimento em curso entre o Ministério da Saúde e os Sindicatos dos Enfermeiros; alcançar um acordo que seja justo e que tenha uma boa dose de bom senso de todas as partes é fundamental para recuperar o tempo - perdido.


A Ordem dos Médicos e os médicos portugueses estão disponíveis para servir a Medicina e o interesse público. Foi assim quando construímos a Carreira Médica e demos o contributo decisivo para a existência do SNS.

 

O Conselho Nacional da Ordem dos Médicos

 

Madeira, 7 de dezembro de 2018