Data

06 Jul 2020



Fonte

Público





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Adiar idas ao hospital é atrasar o diagnóstico e o estadiamento de cancro

Com a duração de uma hora e meia, este webinar contou com a participação de António Araújo, director do Serviço de Oncologia Médica do Centro Hospitalar Universitário do Porto (CHUP), de Filipe Froes, médico pneumologista, coordenador da unidade de cuidados intensivos médico-cirúrgicos do Hospital Pulido Valente e coordenador do gabinete de crise da Ordem dos Médicos para a Covid-19 e de Carlos Martins, médico de medicina geral e familiar e professor auxiliar da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP).

António Araújo começou por reforçar a ideia de que ainda estamos com uma pandemia em curso. “Ninguém pode afirmar que estamos livres da pandemia, mesmo aqui na região Norte, onde temos registado, nos últimos tempos, um menor número de casos”, ressalvou. Independentemente de nos encontrarmos em fase de desconfinamento, o médico oncologista alertou para o facto de ainda estarmos “a meio da pandemia” e que, portanto, todas as medidas de protecção e de segurança ainda serão necessárias. O director de serviço sublinhou o impacto que a Covid-19 teve nos doentes oncológicos que segue no CHUP, em particular, nos meses de Março e Abril. “Suspendemos praticamente toda a actividade programada com a excepção de situações oncológicas urgentes.”

No que respeita aos exames de diagnóstico e de estadiamento do cancro, houve também um atraso, uma vez que os mesmos foram adiados. “Houve seguramente um impacto muito grande nos doentes oncológicos que ainda não sabemos quantificar”, referiu, sublinhando que só será possível perceber as consequências daqui a seis meses a um ano porque será necessário avaliar e comparar o número de casos diagnosticados, no mesmo período de tempo, em 2018 e 2019 com os diagnósticos que forem realizados em 2020. “Por outro lado, parámos os rastreios durante dois meses, dois meses e meio, sendo necessário algum tempo para verificar se esses doentes surgem em estádios mais avançados”, esclareceu. “Aquilo que antecipamos é que terá havido 50% ou mais doentes por diagnosticar no tempo certo ou com atraso no estadiamento.”

 

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