Data

07 Jun 2017



Fonte

News Farma





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Entrevista ao Presidente do CRNOM: “O maior desafio da Saúde nos próximos anos está relacionado com o seu financiamento” – News Farma

O Prof. Doutor António Araújo, presidente do Conselho Regional do Norte da Ordem dos Médicos, acredita que o setor da Saúde atravessa “tempos muito difíceis”. Motivos para este descontentamento e preocupação são muitos, a começar pelo número excessivo de alunos nos cursos de Medicina, passando pelo desinvestimento dos sucessivos Governos no Sistema Nacional de Saúde (SNS), que provoca o êxodo dos recém-formados, pelo trabalho excessivo, ou o envelhecimento de pessoas e máquinas. Razões mais do que suficientes para a greve realizada nos dias 10 e 11 de maio. O grande desafio, contudo, está “no financiamento” a prazo. Por isso, em entrevista à News Farma, defende uma reforma cuidada do SNS, que envolva o poder político, os profissionais de Saúde e a população.

 

News Farma (NF) | Como avalia o estado do sector da Saúde?

Prof. Doutor António Araújo (AA) | Ao contrário da ideia que alguns têm tentado passar, o sector da Saúde está a atravessar tempos muito difíceis. Para isto têm contribuído problemas que existem há vários anos e para a resolução dos quais muito pouca coragem política se tem tido. Por exemplo, o excessivo número de alunos nos cursos de Medicina, que ultrapassa as capacidades formativas das faculdades no pré-graduado e as dos serviços clínicos no pós-graduado, levando à emigração forçada e ao aparecimento de médicos indiferenciados. Ou o desinvestimento no SNS a que se tem assistido nos últimos anos, que tem conduzido às más condições de trabalho que se verificam atualmente, ao trabalho excessivo, ao surgimento num número alarmante de profissionais de saúde de situações de “burnout”, ao envelhecimento acentuado da maquinaria pesada, como TAC’s e RMN’s. Temos assistido às dificuldades crescentes das unidades de Saúde em substituir ou em investir nesse material, criando problemas importantes na resposta que conseguem dar às solicitações, e recorrendo cada vez mais ao “outsourcing”. Temos verificado a sobrelotação dos serviços, fundamentalmente de Medicina Interna, que conduz a situações de internamentos em áreas do serviço de urgência ou em locais provisórios, com o consequente aumento nos tempos de internamento e possibilidade de comprometimento dos melhores cuidados de Saúde. Não esquecendo também a falta de camas disponíveis a nível da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI) e dos cuidados paliativos.

 

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