Data

12 Set 2016



Fonte

ALERT Life Sciences Computing, S.A.





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Flora intestinal influencia alergias alimentares

Estudo publicado no ''Journal of Investigative Dermatology''

Investigadores alemães demonstraram que as bactérias intestinais também desempenham um papel importante na intensidade das reações anafiláticas, sugere um estudo publicado no “Journal of Investigative Dermatology”.

O microbioma humano, ou seja, o conjunto de bactérias que vive na pele ou nos intestinos tem uma grande influência na saúde.

A flora intestinal e os vários elementos do sistema imunológico estão estreitamente interligados e influenciam-se mutuamente. Neste estudo, os investigadores da Universidade Técnica de Munique, na Alemanha, decidiram avaliar qual o papel da flora intestinal nas alergias alimentares, tendo-se focado numa proteína específica, a NOD2.

Este recetor do sistema imunológico é capaz de reconhecer o principal componente da parede celular das bactérias intestinais e dar início a vários processos complexos. Contudo, os investigadores, liderados por Tilo Biedermann, demonstraram que na ausência da NOD2 a reação do sistema imunitário ficava radicalmente alterada. Em vez de linfócitos T reguladores, que suprimem a ativação do sistema imunitário, eram formados linfócitos Th2, que conduzem a uma grande produção de imunoglobulina E (IgE).

Nos indivíduos com alergias, a IgE é “treinada” para responder aos alergénios e estimular células distintas para desencadear uma reação alérgica quando é detetada a presença de um alergénio. Quanto maior é a quantidade de IgE, mais forte é a reação alérgica.

De facto, os investigadores observaram, em modelos animais que na ausência do NOD2 ocorriam reações alérgicas graves. Observou-se também que a composição da flora intestinal destes animais também tinha sofrido alterações. No entanto, quando a composição da flora intestinal era restabelecida, as reações alérgicas graves eram impedidas mesmo na ausência do NOD2.

O investigador refere que esta relação entre a flora intestinal e a produção de anticorpos abre portas para novas abordagens terapêuticas para os pacientes com uma flora intestinal alterada. “É possível, por exemplo, incentivar a colonização de bactérias inofensivas nos intestinos, o que poderia também reduzir a reação do organismo aos alergénios”, acrescentou, em comunicado de imprensa, Tilo Biedermann.