Data

30 Set 2016



Fonte

ALERT Life Sciences Computing, S.A.





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Cancro do pulmão: novas terapias têm bons resultados

Declarações do presidente do Grupo de Estudos do Cancro do Pulmão

O cancro do pulmão continua a ser o tipo de tumor que mais mata, mas nos últimos anos têm surgido novos tratamentos com “resultados extraordinários”, de acordo com especialistas.

O presidente do Grupo de Estudos do Cancro do Pulmão, Fernando Barata, admite que as novas terapêuticas têm apresentado resultados extraordinários, nalguns casos permitindo duplicar o tempo de sobrevida dos doentes, com qualidade.

“O que se passou nos últimos dois anos foi muito animador e trouxe grande entusiasmo para a comunidade médica e para os doentes. Houve importantes avanços e inovação nesta área”, disse à agência Lusa.

“Continua, apesar de tudo, mesmo hoje, a ser a doença que mais mata entre as várias doenças oncológicas. O cancro do pulmão continua a ser uma doença grave. Mas, sim, nós estamos a conseguir paulatinamente avanços importantes. Devo deixar uma palavra de esperança para estas novas terapêuticas e em relação ao que elas têm conseguido para os doentes que têm condições clínicas e analíticas para as fazerem”, refere Fernando Barata.

Há bons resultados nas novas terapias, quer nas que abordam a doença na fase inicial (cirurgia e radioterapia), quer as que se destinam a fases mais avançadas: as terapêuticas-alvo e a imunoterapia.

Nas terapêuticas-alvo são identificados, na superfície da célula tumoral, recetores que, ao serem bloqueados, levam à morte da célula.

Segundo Fernando Barata, esta terapêutica trouxe “elevada eficácia, mais baixa toxicidade e maior duração da resposta”.

Nem todos os tumores podem ser tratados através de terapêuticas-alvo (darão para cerca de 20 a 25% dos casos), mas estes tratamentos conseguiram duplicar ou triplicar o tempo de sobrevida dos doentes e com qualidade.

Um doente numa fase de cancro do pulmão avançada tinha uma sobrevivência mediana de oito ou dez meses, hoje tem 18 meses, 24 meses ou mais. A imunoterapia tem tido resultados muito similares no combate ao cancro do pulmão.

“Os resultados têm sido extraordinários em termos de mais vida, baixa toxicidade e enorme qualidade de vida. Há doentes que voltaram a ficar assintomáticos e a fazer a sua vida normal, em termos familiares e sociais”, referiu o presidente do Grupo de Estudos do Cancro do Pulmão.

Contudo, a imunoterapia não é aplicável a todos os doentes com cancro do pulmão, embora o número de potenciais beneficiados possa ser superior ao da terapêutica-alvo.

O cancro do pulmão representa mais de 20% das mortes causadas por doença oncológica. O tabaco continua a ser o principal responsável, com 85% das mortes por cancro do pulmão a serem atribuídas direta ou indiretamente ao tabaco.