Data

26 Out 2016



Fonte

ALERT Life Sciences Computing, S.A.





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Inflamação desencadeia resposta imune insustentável às infeções crónicas virais

Estudo publicado na revista "Science Immunology"

Investigadores suíços descobriram um novo mecanismo que explica por que motivo ocorre uma resposta imunológica inadequada contra as infeções crónicas virais. O estudo publicado na revista “Science Immunology” pode conduzir ao desenvolvimento de novas vacinas.
No curso de uma infeção ou após a vacinação, um tipo de células imunitárias especializadas, os linfócitos B, produzem anticorpos que se ligam ao vírus e o inativam. Contudo, no caso das infeções virais crónicas, como é o caso do vírus do VIH (vírus da imunodeficiência humana) ou da hepatite C, os linfócitos B começam a produzir os anticorpos demasiado tarde e numa quantidade inferior à necessária.
O estudo, levado a cabo pelos investigadores da Universidade de Basileia, na Suíça, apurou que a resposta inadequada dos anticorpos às doenças virais crónicas é devido ao desenvolvimento de uma reação inflamatória forte após uma infeção. Apesar de a inflamação ser mais pronunciada no início da infeção, esta pode persistir durante décadas, especialmente nos indivíduos infetados pelo VIH.
Sob a influência dos mensageiros inflamatórios, os interferões, os linfócitos B produzem a maior quantidade possível de anticorpos. Contudo, ao que parece, esta produção torna-se insustentável, uma vez que os linfócitos B que produzem rapidamente os anticorpos perdem a capacidade de proliferar e morrem num curto espaço de tempo. Desta forma, apesar de a resposta imunológica ter um início impetuoso, desaparece rapidamente.
De acordo com os investigadores, liderados por Daniel Pinschewer, esta reação de pânico dos linfócitos B reflete um mecanismo que tem como objetivo assegurar uma resposta otimizada às infeções agudas que põem em causa a vida. No entanto, nas infeções crónicas, a batalha não é decidida numa questão de dias, mas apenas após alguns semanas ou anos. Nestas circunstâncias, uma reação demasiado intensa do organismo é inapropriada e pode eventualmente favorecer o vírus.
Atualmente ainda não existem vacinas eficazes contra o VIH ou hepatite C. Os autores do estudo esperam que a descoberta deste mecanismo fundamental possa ser a base para melhorar as estratégias de vacinação contra as doenças crónicas virais.