Data

24 Out 2016



Fonte

ALERT Life Sciences Computing, S.A.





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Esquizofrenia: dezenas de genes descobertos

Estudo publicado na revista ''Nature''

Investigadores americanos descobriram dezenas de genes e duas vias biológicas que estão envolvidas no desenvolvimento da esquizofrenia, dá conta um estudo publicado na revista “Nature”.
A esquizofrenia é uma doença mental crónica e incapacitante cujos sintomas podem incluir alucinações, delírios e problemas cognitivos. A doença atinge cerca de um por cento da população humana. Estima-se que mais de 50 milhões de pessoas em todo o mundo tenham esquizofrenia. Uma vez que ainda não se conhecem completamente as causas da esquizofrenia, os medicamentos atuais podem ajudar a diminuir os sintomas, mas não curam a doença.
Há muito que se sabe que a esquizofrenia tem uma componente genética. Na verdade, para um indivíduo com um familiar em primeiro grau com esquizofrenia o risco aumenta de um para dez por cento.
Um estudo publicado em 2014 associou a esquizofrenia a pequenas variações no ADN em mais de dez localizações distintas no genoma humano. Contudo, algumas destas localizações são conhecidas por “regiões reguladoras”, que aumentam ou reprimem a atividade de genes que se encontram nas imediações do genoma. No entanto, muitas destas regiões reguladoras não têm um gene-alvo óbvio perto da sua localização.
Uma das possibilidades é que estas localizações misteriosas sejam também regiões reguladoras que têm por alvo genes que se encontram distantes no genoma. Estas regiões podem ficar fisicamente próximas de genes "distantes" pela torção complexa que o ADN sofre quando empacotado no cromossoma.
De forma a investigar esta possibilidade, os investigadores da Universidade da Califórnia, nos EUA, utilizaram um técnica inovadora que marca quimicamente e posteriormente mapeia as localizações do ADN que entram em contacto entre si.
Uma vez que cada tipo de célula pode ter diferenças subtis nas estruturas cromossómicas, os investigadores aplicaram a técnica a células imaturas do córtex cerebral. Acredita-se que a esquizofrenia seja caracterizada por um desenvolvimento cortical anormal.
O estudo apurou que as 100 localizações associadas à doença, que tinham sido previamente encontradas, têm contacto com genes envolvidos no desenvolvimento cerebral. Muitos destes genes já tinham sido associados à esquizofrenia ou tinha sido previamente demonstrado que apresentavam níveis de atividade elevados nos cérebros de indivíduos com esquizofrenia.
Alguns destes novos genes associados à esquizofrenia são ativados pela acetilcolina, um neurotransmissor parcialmente envolvido na doença. Adicionalmente, foram identificados outros genes, conhecidos por estarem envolvidos no desenvolvimento precoce do córtex cerebral.
No geral, o estudo, liderado Daniel H. Geschwind, identificou centenas de genes que podem estar anormalmente regulados no cérebro com esquizofrenia.
O investigador concluiu que estes achados fornecem um mapa para a compreensão de como a variação genética comum associada a uma doença complexa afeta genes e vias específicas.
ALERT Life Sciences Computing, S.A.