Data

11 Out 2016



Fonte

ALERT Life Sciences Computing, S.A.





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Doença de Alzheimer: variabilidade de sintomas e os diferentes padrões de atrofia

Estudo publicado no "Proceedings of the National Academy of Sciences"

Uma equipa internacional de investigadores constatou que os diferentes padrões de atrofia cerebral podem explicar as diferentes manifestações da doença de Alzheimer nos indivíduos afetados, dá conta um estudo publicado na revista “Proceedings of the National Academy of Sciences”.

O estudo levado a cabo pelos investigadores do Hospital Geral de Massachusetts, nos EUA, e da Universidade Nacional de Singapura apurou que os participantes do estudo apresentavam pelo menos três padrões de atrofia cerebral (cortical, temporal ou subcortical), que estão associados a variabilidade no declínio cognitivo não apenas nos pacientes diagnosticados com doença de Alzheimer, mas também nos indivíduos com comprometimento cognitivo ligeiro ou aqueles cognitivamente normais, mas que estão em risco para a doença de Alzheimer.

Para o estudo, os investigadores analisaram ressonâncias magnéticas de um total de 378 indivíduos. Destes, 188 tinham sido diagnosticados com doença de Alzheimer, 147 tinham comprometimento cognitivo ligeiro e 43 foram considerados normais, mas estavam em risco de desenvolvimento da doença, tendo em conta os níveis de placas beta-amiloide presentes no cérebro.

Os cientistas começaram por analisar os dados de ressonâncias magnéticas estruturais de base, utilizando um modelo matemático que estima a probabilidade de um pormenor específico de cada imagem estar associado à atrofia de uma determinada zona cerebral.

Com base na localização dos fatores de atrofia, os investigadores determinaram três padrões de atrofia cerebral: o cortical, que representa a atrofia na maior parte do córtex cerebral; o temporal, que está associado à atrofia no córtex temporal, hipocampo e na amígdala; e, por último, o subcortical, indicador da atrofia no cerebelo, no corpo estriado e tálamo.

A análise das ressonâncias magnéticas indicou que os padrões de atrofia eram persistentes nos indivíduos e não refletiam diferentes estadios da doença. A maioria dos participantes, incluindo aqueles com comprometimento cognitivo ligeiro e função cognitiva normal, apresentou níveis de mais do que um fator de atrofia.

Os testes comportamentais e cognitivos dos participantes, realizados com seis meses de intervalo, sugeriram associações entre determinados padrões de atrofia e défices cognitivos específicos. Indivíduos nos quais a atrofia temporal predominou apresentaram maiores problemas de memória, enquanto a atrofia cortical foi associada a dificuldades na função executiva, ou seja, a capacidade de planear e realizar objetivos. As diferenças individuais na distribuição dos fatores de atrofia no cérebro podem permitir prever a velocidade de perda de capacidades cognitivas.

"A maioria dos estudos anteriores focou-se em pacientes já diagnosticados, mas nós fomos capazes de estabelecer padrões distintos de atrofia não só em pacientes diagnosticados, mas também em participantes de risco que tinham um comprometimento ligeiro ou eram cognitivamente normais no início do estudo", revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Thomas Yeo.

O investigador conclui que isto é importante, uma vez que a cascata neurodegenerativa que conduz à doença de Alzheimer começa anos, possivelmente décadas, antes do diagnóstico. Desta forma, a compreensão dos diferentes padrões de atrofia em indivíduos de risco é muito importante.