Data

19 Out 2016



Fonte

ALERT Life Sciences Computing, S.A.





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Ambiente familiar na infância influencia qualidade de relacionamentos na velhice

Estudo publicado na

Os dados de um estudo com mais de 75 anos de duração, publicados na revista “Psychological Science”, revelam que o ambiente familiar na infância influencia a qualidade dos relacionamentos afetivos aos 80 anos.

“O nosso estudo revela que as influências das experiências durante a infância podem ser demonstradas mesmo quando as pessoas atingem os seus 80 anos de idade, prevendo até que ponto se sentem felizes e seguros nos seus casamentos enquanto octogenários”, revela Robert Waldinger, autor do estudo, em nota divulgada no sítio da internet da Associação para a Ciência da Psicologia.

Este estudo longitudinal seguiu 81 participantes, desde a sua adolescência, ao longo de 78 anos, fornecendo dados recolhidos através de entrevistas e questionários regulares. Cinquenta e um dos participantes faziam parte da coorte do Harvard College, enquanto os restantes 30 estavam incluídos numa coorte de Boston.

De forma a avaliar o ambiente familiar em que cresceu cada um dos indivíduos, Robert Waldinger, da Universidade de Harvard, e Marc Schulz, do Bryn Mawr College, ambos nos EUA, analisaram relatos dos participantes acerca da sua vida familiar, assim como entrevistas com os pais e registos clínicos sobre o seu desenvolvimento produzidos por assistentes sociais. Os cientistas pretenderam, dessa forma, obter uma visão composta do ambiente da família.

Entre os 45 e 50 anos de idade, cada participante foi convidado a realizar entrevistas onde se abordaram os desafios que estes enfrentaram ao longo da vida, nomeadamente em termos de relacionamentos, saúde física e trabalho, tendo os cientistas avaliado a capacidade emocional dos indivíduos perante os mesmos.

Por fim, quando os participantes estavam próximo ou já tinham entrado nos 80 anos de vida, os investigadores realizaram entrevistas semiestruturadas para avaliar a ligação dos indivíduos aos parceiros atuais. Cada participante foi instigado a falar sobre o seu casamento, incluindo o grau de conforto que sentiam em serem dependentes ou em cuidarem do seu parceiro. Os dados recolhidos nestas entrevistas serviram para realizar uma avaliação geral acerca da segurança da relação com os seus parceiros.

Waldinger e Schulz descobriram que os indivíduos que tinham tido um ambiente familiar acolhedor durante a infância apresentavam maior probabilidade de terem uma ligação sólida com os seus parceiros afetivos mais tarde na vida. Esta associação poderá ser explicada, de acordo com os cientistas, em parte, pela maior capacidade de reger as emoções na meia-idade.

“Com todas as coisas que acontecem aos seres humanos e que os influenciam entre a adolescência e a nona década de vida, é impressionante que a influência da infância no casamento mais tarde na vida ainda seja visível”, nota Schulz.

Segundo Waldinger, estes achados vão ao encontro de estudos anteriores que indicam que a qualidade do ambiente familiar na infância pode ter efeitos que perduram no tempo tanto a nível do bem-estar, como no sentimento de realização pessoal e nas próprias relações pessoais.

Dessa forma, os autores concluem que os efeitos de longo prazo das experiências na infância enfatizam a importância do bem-estar da criança e sugerem que fomentar capacidades adaptativas de gestão emocional podem ajudar a minimizar o impacto das adversidades na infância.