Data

10 Nov 2016



Fonte

ALERT Life Sciences Computing, S.A.





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Descoberta forma de inibir um dos genes associados ao cancro

Estudo publicado na revista ''Nature Chemical Biology''

Investigadores americanos identificaram uma nova forma de bloquear a ação de mutações genéticas encontradas em cerca de 30% de todos os cancros, dá conta um estudo publicado na revista “Nature Chemical Biology”.

As mutações nos genes que codificam a família de proteínas RAS estão presentes em cerca de 90% dos cancros pancreáticos e também são altamente prevalentes no cancro do cólon, do pulmão e no melanoma, o tipo mais perigoso de cancro da pele. O grupo de proteínas inclui três membros: K-RAS, H-RAS e N-RAS.

A prevalência das mutações RAS nos cancros humanos e a dependência dos tumores nestas proteínas para a sua sobrevivência fez das RAS o alvo principal da investigação do cancro para a descoberta de novos fármacos. Na verdade, os cientistas há muito que têm estudado os oncogenes RAS na esperança de encontrar um novo tratamento para o cancro. Contudo, até à data ainda não foi possível identificar fármacos que inibam com segurança a atividade oncogénica.

Neste estudo, os investigadores da Universidade de Illinois, nos EUA, decidiram utilizar uma abordagem diferente para estudar as RAS e descobriram que a proteína sintética monocorpo NS1 (do inglês monobody) era capaz de bloquear a atividade das proteínas RAS.

John O'Bryan, o líder do estudo, explicou que foi utilizada a tecnologia monocorpo, um tipo de tecnologia de desenvolvimento de proteínas para identificar regiões nas RAS que são importantes para a sua função.

Ao contrário dos anticorpos convencionais, os monocorpos não são dependentes do seu meio ambiente e podem ser facilmente utilizados como inibidores geneticamente codificados. O investigador refere que a beleza desta tecnologia está no facto de que, quando o anticorpo se liga a uma proteína, funciona como inibidor dessa mesma proteína.

O estudo apurou que o monocorpo NS1 liga-se a um área das proteínas RAS que não se sabia que era tão importante para a sua atividade oncogénica. O monocorpo NS1 inibe fortemente a função dos oncogenes K-RAS e H-RAS ao bloquear a capacidade das proteínas em interagirem com uma idêntica para formar um par molecular. O monocorpo NS1 não afeta a N-RAS.

Estes achados podem ajudar a direcionar o desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas para o tratamento do cancro ao interferir com a função de RAS mutante nas células cancerosas.

John O'Bryan conclui que o desenvolvimento de inibidores RAS eficazes representa um" santo graal” na biologia do cancro.