Data

10 Nov 2016



Fonte

ALERT Life Sciences Computing, S.A.





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Casos de maus tratos a crianças e adolescentes aumentaram

Dados do Instituto Nacional de Medicina Legal

Nos últimos cinco anos os casos de maus tratos a crianças e adolescentes analisados pelo Instituto Nacional de Medicina Legal aumentaram, com o agressor a ser frequentemente o pai da vítima.

“Pai com antecedentes criminais e desempregado” é o perfil do agressor típico, segundo um estudo que vai ser apresentado no âmbito da “III Conferência do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses (INMLCF)”, que decorre no auditório da Reitoria da Universidade de Coimbra, até sexta-feira.

Realizado entre 2011 e 2015, o trabalho demonstra um “aumento do número de casos de abuso físico de crianças e adolescentes avaliados no INMLCF”, disse à agência Lusa João Pinheiro, vice-presidente deste instituto público e um dos autores do estudo, que abrange vítimas com idade igual ou inferior a 18 anos.

O número de exames a crianças e adolescentes por suspeita de terem sido vítimas de violência aumentou de 371, em 2011, para 550 em 2015, o que traduz uma subida de 0,86% para 1,48% da taxa de incidência relativamente ao total dos chamados “exames de direito penal”, que nesses anos desceu de 43.280 para 37.159, respetivamente.

“Não temos uma explicação para a diminuição dos exames de direito penal”, nem para o acréscimo das avaliações a menores de 18 anos alegadamente vítimas de abuso físico”, referiu João Pinheiro, que desenvolveu o estudo em coautoria com mais dois médicos legistas, Júlio Barata e Rosário Silva.

O perfil da vítima de maus-tratos: “género feminino, entre os 15 e 18 anos de idade, contexto de violência doméstica, família desestruturada (divórcio dos pais) e com conflitos e agressão prévios”.

Habitualmente, as lesões são traumatismos de “natureza contundente” e localizam-se na cabeça, tórax e abdómen, braço, mão e dedos, implicando entre cinco a dez dias de doença da pessoa agredida.