Data

03 Nov 2016



Fonte

ALERT Life Sciences Computing, S.A.





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A imoral pressão económica sobre os médicos

Declarações do presidente da Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia

O presidente da Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia (SPG) dá conta da pressão imoral de índole económica sobre os médicos de medicina geral e familiar para que estes sejam “restritivos na solicitação dos exames necessários, nomeadamente colonoscopias”.

A propósito do Dia Europeu de Luta Contra o Cancro do Cólon, que se assinala hoje, José Cotter alertou para o facto de estas “restrições” trazerem “consequências graves para os cidadãos, uma vez que não permitem o diagnóstico atempado da doença”.

O médico referiu à agência Lusa que estas restrições “também se podem virar contra os próprios profissionais de saúde por razões de responsabilidade médico-legal”.

“A prevenção do cancro do intestino tem uma grande vantagem sobre os demais cancros, que se relaciona com o facto de através de uma colonoscopia ser possível detetar as lesões pré-malignas (pólipos) e removê-las num mesmo tempo, obtendo a cura”, disse.

De acordo com o gastrenterologista, tal “impede o desenvolvimento dessas mesmas lesões até à fase do cancro, com subsequente necessidade de cirurgia e outros tratamentos (quimioterapia e radioterapia, mais frequentemente)”.

“A prevenção do cancro do colon é possível e tremendamente eficaz, desde que o cidadão adira ao que está recomendado”, acrescentou.

Em Portugal, o cancro do cólon e do reto é o que mais mortalidade provoca em Portugal. Só em 2014, houve sete mil casos da doença, com a mortalidade a cinco anos a ser de 50%.

De acordo com José Cotter, estes números devem-se “à falta de prática de um quotidiano sadio, com combate à obesidade, ao sedentarismo, ao tabagismo e em contraponto ao estímulo de uma alimentação saudável do tipo da dieta mediterrânica com privilégio das hortaliças, frutas, cereais, azeite, peixe e líquidos em abundancia, associados a exercício físico regular”.

“Existe uma prevenção secundária deficiente com défice de cidadãos rastreados no momento certo. Torna-se necessário implementar um rastreio organizado, ainda que tenha de se criar uma linha de financiamento específica, que seria gratificantemente «amortizada» em vidas humanas, diminuição do absentismo, poupança com tratamentos e melhoria da qualidade de vida das populações”, prosseguiu.