Data

31 Mar 2016



Fonte

ALERT Life Sciences Computing, S.A.





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Mais de metade das crianças têm níveis inadequados de iodo

Estudo da Universidade do Porto

Mais de metade das crianças portuguesas (55%) não têm os níveis adequados de iodo e 31% apresentam deficiência daquele micronutriente, cuja carência pode comprometer o desenvolvimento cognitivo, dá conta um estudo da Universidade do Porto que incluiu 825 crianças portuguesas.
O estudo levado a cabo pelos investigadores do Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto constatou também que, das crianças analisadas com idades compreendidas entre os seis e os 12 anos e a frequentar escolas na região do Tâmega, no norte de Portugal, 24% apresenta “excesso de iodo”.
A líder do estudo, Conceição Calhau, referiu à agência Lusa que os resultados são “preocupantes” e que a falta de iodo na alimentação das crianças pode comprometer o Coeficiente de Inteligência (QI) em 15 pontos.
De forma a resolver o problema da carência de iodo nas crianças portuguesas, a especialista defende a introdução de uma legislação relativa ao sal.
“O sal devia ser iodado com uma quantidade de iodo por quilo de sal que, com baixo consumo de sal, se consiga o aporte necessário de iodo”, explicou, referindo que essa é uma solução implementada na grande parte dos países mundiais, onde, com ingestões baixas de sal, se consegue cobrir as “necessidades diárias de iodo”.
A carência de iodo na dieta alimentar acarreta “graves problemas de saúde”, podendo comprometer diversas funções do organismo, designadamente a taxa de metabolismo basal e temperatura corporal, que têm um “papel determinante no crescimento e desenvolvimento dos órgãos, especialmente do cérebro”, refere a investigadora.
O estudo, denominado “Iogeneration” pretende obter dados científicos para que se possa delinear uma política de saúde pública sobre a questão do iodo.
A necessidade diária de iodo é entre as 90 e 150 microgramas, em função da idade da criança. O iodo é um micronutriente que serve para manter equilibrados os processos metabólicos do crescimento e desenvolvimento do cérebro e do sistema nervoso desde a 15ª semana de gestação do bebé até aos três anos de idade, além de regular a produção de energia e consumo de gordura acumulada.
Os alimentos mais ricos em iodo são os de origem marinha, como, por exemplo, a cavala, mexilhão, bacalhau, salmão, pescada, berbigão ou camarão, mas também existe no leite, ovo ou fígado.