Data

20 Dez 2016



Fonte

ALERT Life Sciences Computing, S.A.





Partilhar
Partilhar no Facebook Partilhar no Twitter



Casos sociais com ''tempos de estadias muito elevados''?

Alerta presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares

Os casos sociais continuam com “tempos de estadias muito elevados” nos hospitais, uma situação que urge resolver por causar “problemas graves” nas instituições e colocar em risco os doentes, reconhece o presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares.
“Nos hospitais portugueses desempenhamos também um papel de natureza social e, muitas vezes, quando não existem respostas da comunidade ou outros tipos de resposta, os hospitais acabam por assumir alguma responsabilidade sobre o acompanhamento de doentes que não necessitam de cuidados clínicos”, disse à agência Lusa Alexandre Lourenço.
O presidente da associação refere que por esta razão, “continuamos a ter tempos de estadias nos hospitais muito elevados” de doentes que esperam por uma resposta da Segurança Social, dos cuidados continuados ou da família, uma situação que “deve ser evitada” e “resolvida, porque leva a problemas graves dentro das instituições”.
Entre os problemas, Alexandre Lourenço apontou o risco da infeção hospitalar: “Quanto mais tempo um doente estiver no hospital, maior a probabilidade de ser infetado por um vírus, uma bactéria ou um fungo”, o que obrigará a uma continuidade de cuidados.
A ocupação das camas é um outro problema que pode impedir que outros doentes tenham acesso a cuidados de saúde.
“Muitas vezes, quando falamos de tempos de espera para cirurgia devemos ter em consideração que, cada vez que um doente estiver a ocupar uma cama, outro doente não poderá ser operado”, disse.
Esta ocupação leva também a uma utilização excessiva de recursos que podem ser utilizados noutras áreas da prestação de cuidados de saúde com “melhor efetividade”, defendeu Alexandre Lourenço.
Só este ano, até novembro, o Centro Hospitalar Lisboa Central (CHLC) registou, nas suas seis unidades hospitalares 198 casos de doentes que tiveram a sua alta adiada por motivos sociais, situações que demoraram, em média, 21 dias a ser resolvidas.
As dificuldades das famílias em assumir o papel de cuidador, problemas económicos, “falta de resposta atempada” da rede social formal e a dependência física e cognitiva dos doentes são motivos apontados pelo centro hospitalar para estas situações.
Quando se trata de crianças e jovens, os motivos prendem-se principalmente com a aplicação de medidas de proteção, a inexistência de rede social informal (família, amigos, vizinhos) e desestruturação familiar.