Data

09 Dez 2016



Fonte

ALERT Life Sciences Computing, S.A.





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Anti-hipertensores podem proteger contra declínio funcional

Estudo publicado na revista ''Circulation''

Investigadores americanos descobriram que existe uma forte ligação entre os autoanticorpos contra o recetor da angiotensina e o aumento do risco de fragilidade. O estudo publicado na revista “Circulation” sugere que os anti-hipertensores que têm por alvo o recetor da angiotensina podem proteger contra o declínio funcional.

Nos indivíduos saudáveis, as células do sistema imunitário produzem proteínas, os anticorpos, que atacam os agentes invasores de forma a destruí-los e eliminá-los do organismo. Por outro lado, nos indivíduos com doenças autoimunes, as células imunitárias produzem autoanticorpos que atacam os tecidos do próprio organismo.

Há muito que se tem associado os níveis elevados de autoanticorpos a doenças autoimunes, incluindo hipertensão maligna, rejeição de transplantes e pré-eclâmpsia, uma complicação da gravidez caracterizada por pressão arterial elevada. Contudo, a comunidade científica ainda não tinha compreendido claramente qual a causa dos níveis elevados de autoanticorpos.

Por outro lado, alguns idosos tornam-se mais frágeis à medida que envelhecem. Esta fragilidade tem sido associada à inflamação crónica. De forma a analisar se existia uma relação entre os níveis de autoanticorpos e a fragilidade, os investigadores contaram com a participação de 255 indivíduos com idades compreendidas entre os 20 e os 93 anos. Os participantes foram divididos em dois grupos: adultos mais jovens e mais velhos. O primeiro grupo era constituído por 169 indivíduos com um máximo de 69 anos e o segundo por 87 com mais de 70 anos.

Após terem medido os níveis de autoanticorpos, os investigadores constataram que os adultos mais velhos tinham quase o dobro dos níveis de autoanticorpos dos encontrados nos adultos mais jovens. Posteriormente os cientistas utilizaram uma ferramenta de triagem da fragilidade para identificar os idosos frágeis, tendo medido a força de preensão e a velocidade de caminhada. Os participantes foram também questionados relativamente à perda de peso, fadiga e níveis de atividade física. Verificou-se que os adultos mais velhos com níveis elevados de autoanticorpos tinham uma probabilidade 3,9 vezes maior de serem frágeis.

Com base no facto de saberem que os autoanticorpos causam inflamação crónica, os investigadores decidiram analisar os bloqueadores dos recetores da angiotensina, que bloqueiam a inflamação e são habitualmente prescritos para diminuir a pressão arterial. Para esta análise foram incluídos 60 participantes com idades compreendidas entre os 70 e os 90 anos, metade dos quais estava a ser tratado com bloqueadores dos recetores da angiotensina.

O estudo apurou que por cada aumento de 1 micrograma por mililitro de autoanticorpos, os indivíduos que estavam a ser tratados com bloqueadores dos recetores da angiotensina viviam menos 115 dias, ou seja, o tempo de vida era encurtado em cerca de 9%. O tratamento crónico com os bloqueadores dos recetores da angiotensina atenuou a associação dos autoanticorpos com o declínio da força de preensão e com o aumento da mortalidade.

Apesar de estes resultados serem bastante prometedores, os investigadores alertam para o facto de estes não provarem uma causa e efeito. Do mesmo modo aconselham os pacientes a não alterarem o tratamento da pressão arterial sem antes consultarem um médico.