Data

06 Abr 2016



Fonte

ALERT Life Sciences Computing, S.A.





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Fumar na gravidez altera ADN fetal

Estudo publicado no ''American Journal of Human Genetics''

Fumar ao longo da gravidez modifica quimicamente o ADN do feto, imitando os padrões observados nos fumadores adultos, refere um estudo publicado no “American Journal of Human Genetics”.

O estudo levado a cabo pelos investigadores do Instituto Nacional de Ciência da Saúde Ambiental (NIEHS, sigla em inglês), nos EUA, sugere uma possível explicação para a ligação entre o tabagismo durante a gravidez e as complicações de saúde nas crianças.

Para o estudo, os investigadores analisaram os resultados de 6.685 recém-nascidos e das mães. Com base em questionários, as mães foram categorizadas em “fumadoras contínuas”, tendo fumado diariamente durante a maior parte da gravidez (13%), “não-fumadoras” (62%) ou fumadoras ocasionais ou que tinham deixado de fumar no início da gravidez (25%).

De forma a analisarem a metilação do ADN, os investigadores recolheram amostras, principalmente do sangue do cordão umbilical, após o parto. Para os recém-nascidos de mães consideradas “fumadoras contínuas”, foram identificados 6.073 locais onde o ADN tinha sido quimicamente alterado. Cerca de metade destes locais podiam ser associados a um gene específico.

Os investigadores constataram que esse conjunto de genes estava associado ao desenvolvimento dos pulmões e sistema nervoso, cancros relacionados com o fumo de tabaco, anomalias congénitas, como lábio leporino e fenda palatina, entre outros. “Muitos sinais estavam associados a vias do desenvolvimento”, revelou, em comunicado de imprensa, uma das autoras do estudo, Bonnie Jouber. Verificou-se que muitas destas modificações no ADN ainda estavam presentes nas crianças mais velhas cujas mães tinham fumado durante a gravidez.

Em estudos futuros os investigadores querem perceber melhor como estas modificações no ADN podem influenciar o desenvolvimento da criança e da doença. “Já sabíamos que o tabagismo estava associado ao lábio leporino e fenda palatina, mas não sabemos porquê. A metilação pode de alguma forma estar envolvida no processo”, concluiu umas das colíderes do estudo, Stephanie London.